Segunda-feira, Agosto 30, 2010

Vida Inteligente (2)

Mais um excelente evento no CCFC, agora com Paes Loureiro.


ENCONTRO DE ARTE COM PAES LOUREIRO

Arte, Religião, Estética e Liturgia - celebrações da beleza e beleza celebrada
Propõe-se fazer uma abordagem do signo artístico e religioso como imanência e transcendência. A dinâmica operativa do processo de "conversão semiótica" da arte em religião e da religião em arte, de modo específico ou intercorrente.

Ministrante
João de Jesus Paes Loureiro
Recebeu prêmio de Poesia, da Associação Paulista de Críticos de Arte e indicação como finalista do Prêmio Jabuti. Tem obras publicadas na França, Alemanha, Japão, Itália e em Portugal. É professor de Estética, História da Arte e pesquisador da Cultura Amazônica. É mestre em teoria literária e semiologia pela PUC de Campinas e doutor em sociologia da cultura pela Sorbonne, Paris. Participou da X Bienal de Artes Plásticas de São Paulo e da obra "A Vanguarda Visual Brasileira - 50 anos depois da Semana de Arte Moderna", organizada por Roberto Pontual.

Destinatários
Público em geral

Programa
18 e 19 de setembro
Das 08h30 às 12h30.
Local: Centro de Cultura e Formação Cristã – CCFC. BR 316, Km 6, Ananindeua – PA.
ENTRADA FRANCA
Realização
CCFC e PU
Atenciosamente,
Diácono Otacilio Rodrigues Dias (Eventos) – Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém.

NOTA: Visite o site do CCFC nele você encontrará todas as atividades culturais, de evangelização e formação para 2010:http://www.CCFC.com.br.

Vida Inteligente

O Centro de Cultura e Formação Cristã, aqui em Ananindeua,  prova que tem vida inteligente na Região Metropolitana de Belém.
Lá é possível encontrar Benedito Nunes dando aulas - filosofia e literatura - aos sábados e domingos. É um privilégio.
Também é possível encontrar eventos como este, sobre a escravidão no Brasil Colonial, tema que os tempos atuais tornaram... atual!



ESCRAVIDÃO INDÍGENA E AFRICANA NO BRASIL COLONIAL

Sempre houve escravidão... Até nos dias de hoje! Como se colocar diante deste fato, que repugna à nossa consciência de direitos humanos? No passado houve uma justificação pela própria natureza de certos homens, já lembrada por Aristóteles. Houve até condenações formais da Igreja contra este "status" infernizando a vida social, mas nos tempos modernos, desde o séc. XV, se reafirmou e justificou esta realidade. Com quais justificativas? Em que medida era praticada? Era um simples ato de violência? E no caso específico do Grão Pará, além da escravidão africana, a escravidão dos filhos naturais da terra, de que forma foi praticada e quais as consequências sociais e econômicas que alcançou?
Destinatários
Universitários, profissionais da área de letras, história, sociologia, filosofia, teologia e público em geral
Programa
Justificativas jurídicas, sócio-econômicas e religiosas
A escravidão africana e indígena
Documentos históricos relativos ao Grão Pará.
Data/hora: 18 e 19 de setembro
                 Das 8h30 às 12h30.
Local: Centro de Cultura e Formação Cristã-CCFC. BR 316, Km 6, Ananindeua – PA.
ENTRADA FRANCA

Coordenação
Pe. Ilario Govoni, sj.
Realização
CCFC e PU
Atenciosamente,
Diácono Otacilio Rodrigues Dias (Eventos) – Centro de Cultura e Formação Cristã da Arquidiocese de Belém.

NOTA: Visite o site do CCFC nele você encontrará todas as atividades culturais, de evangelização e formação para 2010:http://www.CCFC.com.br.

Quinta-feira, Agosto 26, 2010

Costume, Valores e Mudança


Segue mais uma deliciosa crônica do bom amigo Octavio Pessoa.



COSTUMES, VALORES E MUDANÇA

            Vivemos uma época de mudanças ou uma mudança de época? Coloco-me ao lado dos que crêem na segunda alternativa. A tecnologia avança num crescendo impressionante. O que é top quando escrevo esta crônica estará superado quando você a estiver lendo. Vivemos a era da instantaneidade, neste mundo plano, em que você acompanha em tempo real, o que acontece doutro lado do mundo.
            A comunicação por e-mail, que ainda há quem reaja a ela, já é considerada por muitos, uma forma superada de se comunicar. Algo parecido com o hábito de se gostar de “empurrar” as coisas. Contemporâneo é comunicar-se através de redes sociais, comofacebook, orkut, etc. Você coloca o que você tem a comunicar, na sua página, e todos seus amigos tomam conhecimento. Quem quer, interage só com você ou compartilha sua participação com os demais amigos de quem começou a interação.
            twitter, rede social de mensagens curtas, permite que todo mundo seja repórter. Aconteceu um fato interessante? Bote a boca no mundo e coloque seus seguidores (não interessa onde estejam), a par da informação. Se valer a pena, outros twitteiros vão percutir a mensagem. Se quiser, diga também as suas besteiras. Tem gente que adora dizer que terminou de acordar, que está com sono, o que vai comer, enfim, cada um com o seu gosto.
Os blogs, estes nem se fala, são cadernos de anotação de qualquer pessoa que gosta de registrar suas idéias, pensamentos e abobrinhas; ou verdadeiros jornais pessoais. Há blogs famosos, mais lidos do que muitos jornais. E indiscutivelmente, com muito mais conteúdo que os jornais da “grande imprensa”. O blogueiro não fica tolhido pela ditadura do espaço, tônica dos jornalões. Essa limitação imposta ao jornalista, se tem o mérito de obrigá-lo à concisão, prejudica grandemente o aprofundamento das questões, enfraquecendo o conteúdo.
            Outra característica desta mudança de época é  a alteração dos costumes. Estão aí as políticas afirmativas em favor dos segmentos da sociedade tradicionalmente excluídos. Dos negros, ou afrodescendentes, na linguagem politicamente correta, dos índios, dos homossexuais, dos povos de terreiros, entre outros.
Tudo isso sem falar na mudança de valores, que já ocorriam mesmo antes dessas políticas de afirmação de minorias. Já vai longe a época da himenolatria. A cada dia que passa, a iniciação sexual se dá cada vez mais cedo, com todos os riscos e conseqüências que ela traz. Gravidez precoce, prostituição infantil, disseminação das doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a AIDS, pedofilia etc. Essa situação de fato torna risível a comoção causada por certos episódios, no passado. E a forma como eram “corrigidos” ou punidos, pelos valores da época.
            Por exemplo, quando eu era ginasiano, acho que da primeira série, lá em Parintins, numa segunda-feira, quando curtíamos a molecagem, durante o recreio, fazendo baderna na pracinha em torno da igreja matriz e em frente ao colégio, lá pelas tantas, um curumim, ao passar na correria, por de baixo da torre, se deparou com listas avermelhadas por sobre uma das colunas. Espantou-se com o que viu. Observou atentamente e gritou a plenos pulmões.
            - Égua, moleque. É sangue!
            Foi aquele burburinho. O que foi, o que não foi, foi aquela agonia. Adolescentes, um tanto ingênuos, estudantes de colégio religioso, no início dos anos sessenta do século passado (“A gente não fica velho. O tempo é que insiste em passar”, dizia o saudoso Saramago), todo mundo ficou cuíra com o que estava diante dos olhos. A liberação sexual viria na década seguinte e mesmo assim, essas coisas chegavam sempre com atraso, nas cidades do interior e “calibradas” pela moral vigente. Na roda que se formou, os moleques mais “salientes” faziam certas insinuações, porém ninguém tinha experiência suficiente, para dar o veredito.
            Foi aí que “pintou”, na sua motocicleta com os inseparáveis óculos RayBan, o Álvaro Bandalheira, que já era um homem feito. Pelo apelido, dá prá imaginar a figura. Uma espécie de Bad Boy de cidadezinha amazônica.
            Ele desmontou da moto, se aproximou, levantou os óculos, analisou o “indício” do crime, esfregou o dedo, cheirou e, com um sorriso sarcástico, sentenciou:
            - Cabaço!
            Foi um pandemônio. A Rádio Cipó “comeu no centro”. O Lioca, o repórter atrapalhado, personagem doutra crônica, no seu abestalhamento, dizia aparvalhado, “Disque fizeram um bagaço”.
Sabe como é que é, em cidade do interior. Todo mundo se conhece. Os costumes de cada um são de domínio público. Não levou muito tempo, para serem identificados o autor e a vítima. Esta por sinal, insuspeitíssima. Pelo ambiente em que era educada, supunha-se que morreria virgem “até de boca”. O autor, ah! esse não causou surpresa nenhuma. Era um curumim muito “saliente e apresentado”, prá se dizer o mínimo. Levava o nome de um animal arisco no seu sobrenome.
            O fato que hoje passaria em brancas nuvens, teve que se ser reparado, conforme os costumes da época, com o casamento. O que não impediu que um gaiato gravasse em baixo relevo no local do crime, uma frase que permaneceu por alguns dias, até ser raspada e pintada, em nome da moral e dos bons costumes. A “obra de arte” anunciava, num português escorreito: - Aqui jazem os restos mortais de um cabaço!
Octavio Pessoa – advogado, jornalista e auditor federal de controle externo
Twitter: octaviopessoaf         

Segunda-feira, Agosto 16, 2010

Lista Sêxtupla

Recebi da ABRAT esta notícia:


Brasília, 15/08/2010 - O Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), reunido hoje (15) em sessão
l para preencher vaga de ministro do Tribunal Superior d
extraordinária, elaborou a lista sêxtupla constitucion ao Trabalho (TST), destinada à advocacia. Foram escolhidos
vitalícios os seguintes advogados: André de Carvalho Pagno
pelos 81 conselheiros federais da OAB e membros honorários ncelli (Mato Grosso do Sul); Othoniel Furtado Gueiros
); e Delaíde Alves Miranda Arantes (Goiás). Conduziu a s
Neto (Pernambuco); Luís Carlos Moro (São Paulo); Adriano Costa Avelino (Alagoas); Luiz Gomes (Rio Grande do Nort eessão que durou cerca de sete horas, o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante. Esteve presente à sessão o integrante do Conselho Nacional de Justiça
sé Simpliciano Fontes
(CNJ), Marcelo Nobre. A lista sêxtupla votada na sessão de hoje e que designará um ministro para preencher a vaga aberta com a aposentadoria do ministro J o de Faria Fernandes, será, agora, enviada pela OAB Nacional ao TST. A Corte reduzirá a lista sêxtupla a uma lista tríplice e enviará a sua relação ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, que é quem escolherá o candidato final à vaga. Após esse trâmite, o candidato será sabatinado pelo Senado Federal e, se aprovado, nomeado
ministro do TST.
ABRAT - Sempre ao lado do Advogado Trabalhista!

Domingo, Agosto 15, 2010

Sociedade sem Escolas

Vale a pena dar uma passada no blog do Flávio Nassar e assistir um vídeo provocador sobre uma sociedade sem escolas. É Ivan Ilicht mostrando o caminho das pedras. Claro que poucos concordarão com ele.
Mas está cada vez mais evidente que a escola - universidade inclusive - continuarão tendo o monopólio do diploma, mas não do conhecimento.

Domingo, Agosto 08, 2010

Tendências das Tecnologias da Informação e Comunicação

Tendências da TI: 10 Tendências que exigem mudanças nas empresas

Pessoal,
a McKinsey Quartely, jornal de negócios da McKinsey & Company, divulgou artigo em que relaciona 10 tendências de tecnologia que devem estar no radar dos estrategistas das empresas para geração de novos modelos de negócios. O artigo faz um alerta aos altos executivos das empresas sugerindo que eles devem pensar estrategicamente sobre como preparar as organizações para o novo ambiente desafiador que se aproxima com o crescimento de tecnologias como computação em nuvem, internet das coisas, colaboração em escala e outras mais.
Eu diria que os estrategistas devem cada vez mais exercitar a habilidade de pensar em coisas impossíveis, como disse o fundador da Wired,  Kevin Kelly, em palestra que ele apresentou no TEDxAmsterdan(Veja vídeo abaixo). Para entender o que estou colocando, volte no tempo e se pergunte: será que nós imaginaríamos, a quinze anos atrás, que teríamos um mundo como ele é hoje? Será que nós pensaríamos em dispositivos móveis, tecnologia wireless (sem-fio), redes sociais como twitter e linkedin, wikipedia, internet banda larga, youtube?
Segundo o artigo da McKinsey, a tecnologia continua a evoluir rapidamente. Facebook, em pouco mais de dois curtos anos, quintuplicou de tamanho a uma rede que atinge mais de 500 milhões de usuários. Mais de 4 bilhões de pessoas ao redor do mundo já utilizam telefones celulares, e para 450 milhões de pessoas a Web é uma experiência completamente móvel. A maneira como utilizamos tecnologia, como computação em Nuvem(Cloud Computing) e virtualização, redistribuem os custos de tecnologia, criam novas formas para os indivíduos consumirem produtos e serviços e torna possível que empresários e empresas pensem em novos modelos de negócios que muitos consideram impossíveis como, por exemplo, marketing contextual.
A McKinsey também alerta que as empresas não se limitem a comprender as 10 tendências abaixo descritas. Elas precisam também pensar estrategicamente sobre como adaptar a gestão e estruturas organizacionais para atender as novas demandas proporcionadas por essas 10 tendências(veja mais sobre isso aqui), pois muitas dessas tendências exigirão a necessidade de atravessar fronteiras organizacionais tradicionais fazendo com que líderes criem conexões entre as equipes em diferentes e espalhados cantos da organização, buscando maior interdisciplinaridade de forma que toda a empresa compreenda a necessidade de explorar plenamente essas tendências. Isso implica em transformar as organizações em pequenos laboratórios capazes de testar mais rapidamente e aprender mais rapidamente em pequena escala e depois expandir o sucesso rapidamente.
Seguem abaixo as 10 tendências listadas pela McKinsey com meus comentários:
1 - Distribuído move a Co-Criação: Inspirados pelo pioneirismo da Wikipedia e um punhado de desenvolvedores de software de código aberto, a capacidade de organizar as comunidades da Web para desenvolver , comercializar produtos e serviços de apoio passou das margens da prática empresarial para o mainstream. Muitas empresas buscam aumentar esse relacionamento com as comunidades da Web com o objetivo de ampliar seu alcance e reduzir o custo de servir aos clientes. Algumas chegam a abrigar comunidades onde os clientes mais experientes dão conselhos e apoio para aqueles que precisam de ajuda. A Procter & Gamble organiza uma comunidade de mães que compartilham suas experiências de novos produtos com membros de seu circulo social. Outro exemplo que podemos relacionar aqui foi citado pela Adriana Salles Gomes, em post do blog da HSM, sobre ação da Brinquedos Estrela que detectou uma comunidade vibrante no Orkut com 3 mil fãs que pediam à marca para retornar a produção do Ferrorama(Clique aqui para ler);
2 - Transformar a organização em uma rede: Em pesquisa anterior da McKinsey, foi observado que a Web estava forçando a abertura das fronteiras organizacionais das organizações, permitindo que funcionários e não-funcionários oferecem seus conhecimentos de novas formas. McKinsey chamou essa tendência de “Explorando um mundo de talentos”. Muitas empresas estão indo além dessa fronteira construindo redes flexíveis que se extendem além das fronteiras internas e externas. Uma empresa global de serviços de energia constatou que as barreiras em torno dos silos organizacionais impedia que seus gestores acessassem os melhores talentos em toda a organização para resolver problemas críticos com soluções criativas. Por meio de análise das redes sociais existentes, a empresa mapeou os fluxos de informação e recursos de conhecimento entre seus funcionários em todo o mundo. A análise identificou vários pontos de estrangulamento. Usando tecnologias da Web, para expandir o acesso a especialistas de todo o mundo, a empresa montou comunidades de inovação entre as unidades de negócios em silos . Estas redes têm ajudado a acelerar a prestação de serviços , melhorando simultaneamente a qualidade em 48 por cento, de acordo com pesquisas da empresa. Gestão ortodoxas ainda impedem a maioria das empresas de aproveitar o talento para além do tempo integral dos trabalhadores que estão vinculados a estruturas organizacionais existentes. Nesse sentido, recomendo assistir o vídeo do Clay Shirky realizada em Cannes(Veja mais sobre isso aqui) em que ele acredita que as novas tecnologias que permitam a colaboração solta – e aproveitando a “inteligência” de reposição – vai mudar a forma como a sociedade funciona. É preciso aproveitar a inteligência coletiva existente dentro da empresa buscando o engajamento dos funcionários, clientes e parceiros de negócio em torno de uma causa nobre;
3 - Colaboração em escala: No passado, a colaboração era de pequena escala, pois uma quantidade excessiva de pessoas era excluída da circulação de conhecimento, poder e capital, e portanto, participava das margens da economia. Ela ficava restrita em pequenos territórios como comunidades, locais de trabalho e acontecia apenas entre amigos, parentes e sócios nesses locais. Com o advento da Internet e da WEB 2.0 tudo mudou, pois torna o acesso dessas pessoas a apenas um click no mouse o que coloca todas essas pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia. O número de pessoas que realizam trabalho de conhecimento tem crescido muito mais rapidamente do que os trabalhadores de produção de bens. Os trabalhadores do conhecimento são normalmente melhor remunerados do que outros, aumentar assim a sua produtividade é fundamental. Como resultado , há grande interesse em tecnologias de colaboração que prometem melhorar o rendimento e a eficácia desses trabalhadores. O alerta aqui é para que as empresas não esperem aumento na eficácia e no rendimento dos trabalhadores do conhecimento acreditando que a tecnologia resolve por si só. Para essas tecnologias serem eficazes, as organizações precisam de um melhor entendimento de como o trabalho do conhecimento de fato acontece . Um bom ponto de partida é mapear os caminhos informais através do qual a informação viaja , como os funcionários interagem, e onde os gargalos estão desperdiçando essa  inteligência coletiva. A longo prazo , a colaboração será um componente vital do que foi denominado ” capital organizacional”;
4 - O Crescimento da Internet das Coisas: A adoção de RFID (identificação por radiofrequência ) e tecnologias relacionadas eram a base de uma tendência que nós primeiro reconhecemos como a “expansão das fronteiras da automação. ” Mas estes métodos são rudimentares em comparação com o que emerge quando os ativos tornam-se elementos de um sistema de informação, com a capacidade de capturar , calcular , comunicar e colaborar em torno de informações que veio a ser conhecida como a “Internet das Coisas”(Veja mais sobre isso aqui). Sensores embutidos, atuadores e capacidades de comunicações , tais objetos em breve serão capazes de absorver e transmitir informações em grande escala e, em alguns casos,  adaptar-se e reagir às mudanças no ambiente automaticamente. Estes ativos “inteligentes” podem tornar os processos mais eficientes, fornecendo  novos recursos e novos modelos de negócio. Seguradoras de veiculos na Europa e nos Estados Unidos estão testando esse conceito com ofertas para instalar sensores nos veículos dos clientes. O resultado é que os modelos de precificação de novas taxas estão sendo baseados no risco na condução e comportamento e não sobre as características demográficas de um condutor;
5 - Experimentação e Volume Gigantesco de Dados: As empresas poderiam se tornar um laboratório em tempo integral ? E se você pudesse analisar cada transação , a captura de insights de cada interação com o cliente , e não ter que esperar meses para obter dados em pesquisas de campo? O volume de dados vem crescendo a taxas nunca antes vistas, dobrando a cada 18 meses (tem relação com a lei de Moore). Tecnologias para a captura e análise de informações estão amplamente disponíveis a preços cada vez mais baixos. Muitas empresas estão levando o uso desses dados para novos níveis, utilizando a TI para suportar a experimentação constante de negócio que orientem as decisões e para testar novos produtos, modelos de negócios e inovações na experiência do cliente. Em alguns casos, as novas abordagens ajudam as empresas a tomar decisões em tempo real. Esta tendência tem o potencial de conduzir a uma transformação radical na investigação , inovação e marketing. Isso exigirá o que já afirmei em outros posts - TI e Negócios não podem ser compreendidos como áreas estanques e separadas, tem que ser um só, ou seja, já nem é mais uma questão da TI ser parte do negócio. Na verdade, TI e Negócios praticamente precisam ser uma coisa só. É necessário um modelo de negócio que utilize a TI como instrumento. O Google, por exemplo, é uma empresa de software ou uma empresa de mídia? Na verdade, ele é as duas coisas. O Google é uma instituição que utiliza as novas potencialidades da TI para realizar negócios em que a publicidade é o foco. Fez isso tão bem e tão rapidamente que será muito difícil uma outra corporação ocupar o espaço que o Google ocupa atualmente;
6 - Cabeamento para um mundo sustentável: Mesmo como marcos regulatórios continuando a evoluir, gestão ambiental e sustentabilidade são temas prioritários da agenda empresarial. Além do mais , a sustentabilidade está se tornando rapidamente uma importante métrica de desempenho corporativo , que os stakeholders, incluindo até mesmo os mercados financeiros começaram a dar mais atenção. Tecnologia da informação desempenha um duplo papel neste debate : ela é uma fonte significativa de emissões para o ambiente e um fator essencial de muitas estratégias para mitigar os danos ambientais. Atualmente , a quota de tecnologia da informação na pegada ecológica do mundo está crescendo por causa da demanda crescente por  TI e serviços. A eletricidade produzida nos grandes Datacenters gera gases de efeito estufa em escala de países como a Argentina ou a Holanda, e estas emissões poderão quadruplicar até 2020. A pesquisa da McKinsey mostra, no entanto , que o uso da TI em áreas como as redes de energia inteligentes, edifícios eficientes e melhor planejamento de logística poderia eliminar cinco vezes as emissões de carbono que a indústria produz. As empresas estão dando os primeiros passos para reduzir o impacto ambiental das suas TI adotando conceitos e tecnologias como ” data center verde”, como co-criação e distribuição na Internet das Coisas, software de virtualização (Veja mais sobre isso aqui) para diminuir o número de servidores necessários para as operações  e o arrefecimento de data centers com ar ambiente para reduzir o consumo de energia e baixo custo. Nesse sentido, vale citar aqui a iniciativa da IBM “Smart Planet” que apresentei em post anterior(Veja mais sobre isso aqui). O conceito de “Planeta inteligente” tem um lema muito interessante que é “Uma demanda por mudança é uma demanda por inteligência”. Como explica o blog da empresa (clique aqui para ler), “a inteligência pode ser inserida na maneira como fabricamos e vendemos nossas mercadorias, no modo como transportamos essas mercadorias, pessoas e dinheiro e também como gerenciamos nossas empresas e países. O mundo está pronto para um planeta mais inteligente.”;
7 - Imagine Tudo como serviço: Como disse em post anterior, TI é serviço e não produto(Veja mais sobre isso aqui). Consumidores desejam pagar apenas pelo uso e, dessa forma, evitar grandes gastos , bem como as dificuldades de compra e manutenção de um produto. Na indústria de TI, o crescimento de “cloud computing “(Veja mais sobre isso aqui) exemplifica esta mudança, além de software como serviço ( SaaS) , que permite às organizações acesso a serviços como a gestão de relacionamento com clientes, são tecnologias que estão crescendo a uma taxa de 17 por cento anuais. A aceitação pelos consumidores dos serviços de cloud baseada na Web para tudo, desde e-mail até armazenamento de vídeos e fotos, tende naturalmente a tornar-se universal, e as companhias estão seguindo essa tendência;
8 - A era do modelo de negócios multilaterais: O maior exemplo desse modelo é o Google que vende publicidade oferecendo serviços de TI que permitem a busca e organizam a informação no mundo. Outro exemplo, citado no artigo da McKinsey, é a empresa Spiceworks oferece gerenciamento de aplicativos de TI para 950 mil usuários , sem qualquer custo , enquanto que recolhe a publicidade de empresas B2B que querem acesso a profissionais de TI. Quanto mais pessoas migrarem para atividades on-line , os efeitos de rede podem  ampliar o valor dos modelos de negócio multilaterais, sendo que quanto maior o número de usuários, utilizando os serviços gratuitamente, mais valioso o serviço torna-se para todos os clientes. MasterCard, por exemplo, tem construído uma unidade de consultoria que analisa os padrões de compra dos consumidores e vende resultados agregados para os comerciantes e outros que querem uma melhor leitura sobre as tendências de compra;
9 - Inovando na base da pirâmide: Essa é uma tendência baseada no livro “A Riqueza está na base da pirâmide” do professor C.K. Prahalad, falecido recentemente. A adoção de tecnologia é um fenômeno global, e a intensidade de seu uso é particularmente impressionante nos mercados emergentes. Nossa pesquisa mostrou que os modelos de negócios disruptivo surgem quando a tecnologia se combina com condições extremas de mercado , tais como a demanda dos clientes por preços muito baixos, pouca infra-estrutura , fornecedores de difícil acesso , e curvas de baixo custo para o talento. Em partes da África rural , por exemplo, os modelos tradicionais de bancos de varejo têm dificuldade em estabelecer raizes. Os consumidores têm rendimentos baixos e muitas vezes falta a documentação padrão (tais como cartões de identificação ou até mesmo endereços) obrigatórios para abrir contas bancárias. Mas Safaricom , um fornecedor de telecomunicações , oferece serviços bancários a oito milhões de africanos através do seu serviço de telefonia móvel M- PESA. Safaricom permite que uma rede de lojas e postos de gasolina, que vendem tempo de antena de telecomunicações, carreguem dinheiro virtual em telefones celulares;
10 - Expandir serviços públicos: É preciso entender que o custo de transação das empresas, como o trânsito caótico para movimentação das pessoas, cresce cada vez mais tornando-se inviável do ponto de vista macro-econômico(Veja mais sobre isso aqui) e isso tende a se agravar, uma vez que cerca de metade da população mundial vive em áreas urbanas, e essa parte é projetada para atingir 70 por cento em 2050.Políticas públicas criativas, que incorporem as novas tecnologias, poderiam ajudar a aliviar as tensões econômicas e sociais da densidade populacional. Londres , Singapura e Estocolmo têm utilizado recursos inteligentes para gerenciar o congestionamento do tráfego em seus núcleos urbanos, e muitas cidades em todo o mundo estão implementando essas tecnologias para melhorar a confiabilidade e a previsibilidade dos sistemas de transporte de massa. Da mesma forma, redes de água smart grids serão fundamentais para responder à necessidade de água limpa. sensores incorporados não podem apenas assegurar que a água que flui através de sistemas não está contaminado e segura para beber , mas também vazamentos. A plena exploração do potencial da tecnologia na esfera pública significa reimaginar a forma como os serviços públicos são criados , entregues e gerenciados. Colocar em prática essa visão requer visão de futuro e uma liderança prudente que defina metas, adote testes flexíveis e aprenda métodos e medidas de sucesso;
Será que é possível ter limites para a tecnologia? Eu diria que não há limites. Se não há limites, então temos que deixar de pensar na tecnologia como limitadora e expandir a nossa criatividade e o uso que podemos fazer dela. Afinal de contas, limite, quando falamos em termos de tecnologia, é apenas uma questão de tempo.
Diante de tudo isso, ficam 3 lições que devemos aprender e exercitar mais frequentemente: curiosidade é a coisa mais importante que temos, imaginação é uma força que pode manifestar uma realidade e o respeito do seu time é mais importante do que qualquer prêmio.
Para aproveitar ao máximo essas 10 tendências e desenhar um mapa do terreno de forma a criar valor e competir de forma eficaz nos tempos atuais desafiadores e incertos, as organizações devem implantar modelos de gestão em rede que fomentem a colaboração inovadora entre seus funcionários, clientes, parceiros de negócios. Afinal de contas, o lema do Google “Always Beta” está presente mais do que nunca. É como disse o professor Silvio Meira, que esteve conosco no Banco do Brasil na IV jornada de tecnologia : “Vivemos em um mundo em que as coisas não estão prontas, mas são funcionais”. A própria Web está passando por uma transformação contínua em que ela começou como um ambiente transacional(web 1.0), hoje é colaborativo (Web 2.0) e amanhã será de contribuição por todos nós (Web 3.0)
Um Abraço.
“Keep the Faith”
Twitter: @blogdomarcelao
P.S : Quem quiser ter acesso ao relatório completo, inclusive a vários podcasts, basta acessar o site do relatório clicando aqui

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Colesterol

Anistia

Cantou no Diário da Justiça Eletrônico de anteontem, 6 de agosto de 2010, sexta-feira, a íntegra do esperado acórdão do Supremo Tribunal Federal sobre a  Lei de Anistia. Para quem é do ramo trata-se do processo nº STF-ADPF 153. A ementa - um resumo das teses jurídicas redigida em bom (e acessível) juridiquês, é claro - vai transcrita abaixo, e vale a pena ser lida mesmo por quem não é do ramo. O inteiro teor do acórdão pode ser encontrado aqui. O advogado Roberto Caldas dá a seguinte dica para quem tiver dificuldade em ter acesso à íntegra do acórdão, que é um arquivo pesado:  acessar por grupos de páginas no  http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/pesquisarInteiroTeor.asp#resultado, em seguida digitar 153 na guia "número do processo" e depois clicar em ADPF 153. Simples assim.
A imprensa laica não se interessou pelo tema. Deve está esperando receber um press release pronto ou a notícia no sítio do Supremo Tribunal Federal para repercutir essa publicação.



STF - ADPF 153
EMENTALEI N. 6.683/79, A CHAMADA “LEI DE ANISTIA”. ARTIGO 5º, caput, III E XXXIII da Constituição do Brasil; PRINCÍPIO DEMOCRÁTICO E PRINCÍPIO REPUBLICANO: NÃO VIOLAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS HISTÓRICAS. DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E TIRANIA DOS VALORES. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO E DISTINÇÃO ENTRE TEXTO NORMATIVO E NORMA JURÍDICA. CRIMES CONEXOS DEFINIDOS PELA LEI N. 6.683/79. caráter bilateral da anistia, ampla e geral. jurisprudência do Supremo Tribunal Federal na sucessão das frequentes anistias concedidas, no brasil, desde a República. Interpretação do direito e leis-medida. Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes e Lei n. 9.455, de 7 de abril de 1997, que define o crime de tortura. Artigo 5º, XLIII da Constituição do Brasil. Interpretação e revisão da Lei da anistia. Emenda Constitucional n. 26, de 27 de novembro de 1985, poder constituinte e “auto-anistia”. Integração da   anistia da lei de 1979 na nova ordem constitucional. Acesso a documentos históricos como forma de exercício do direito fundamental à verdade.
1. Texto normativo e norma jurídicadimensão textual e dimensão normativa do fenômeno jurídico. O intérprete produz a norma a partir dos textos e da realidade. A interpretação do direito tem caráter constitutivo e consiste na produção, pelo intérprete, a partir de textos normativos e da realidade, de normas jurídicas a serem aplicadas à solução de determinado caso, solução operada mediante a definição de uma norma de decisão. A interpretação/aplicação do direito opera a sua inserção na realidade; realiza a mediação entre o caráter geral do texto normativo e sua aplicação particular; em outros termos, ainda: opera a sua inserção no mundo da vida.
2. O argumento descolado da dignidade da pessoa humana para afirmar a invalidade da conexão criminal que aproveitaria aos agentes políticos que praticaram crimes comuns contra opositores políticos, presos ou não, durante o regime militar, não prospera.
3. Conceito e definição de “crime político” pela Lei n. 6.683/79. São crimes conexos aos crimes políticos “os crimes de qualquer natureza relacionados com os crimes políticos ou praticados por motivação política”; podem ser de “qualquer natureza”, mas [i] hão de terem estado relacionados com os crimes políticos ou [ii] hão de terem sido praticados por motivação política; são crimes outros que não políticos; são crimes comuns, porém [i] relacionados com os crimes políticos ou [ii] praticados por motivação política. A expressão crimes conexos a crimes políticos conota sentido a ser sindicado no momento histórico da sanção da lei. A chamada Lei de Anistia diz com uma conexão sui generis, própria ao momento histórico da transição para a democracia. Ignora, no contexto da Lei n. 6.683/79, o sentido ou os sentidos correntes, na doutrina, da chamada conexão criminal; refere o que “se procurou”, segundo a inicial, vale dizer, estender a anistia criminal de natureza política aos agentes do Estado encarregados da repressão.
4. A lei estendeu a conexão aos crimes praticados pelos agentes do Estado contra os que lutavam contra o Estado de exceção; daí o caráter bilateral da anistia, ampla e geral, que somente não foi irrestrita porque não abrangia os já condenados --- e com sentença transitada em julgado, qual o Supremo assentou --- pela prática de crimes de terrorismo, assalto, seqüestro e atentado pessoal.
5. O significado válido dos textos é variável no tempo e no espaço, histórica e culturalmente. A interpretação do direito não é mera dedução dele, mas sim processo de contínua adaptação de seus textos normativos à realidade e seus conflitos. Mas essa afirmação aplica-se exclusivamente à interpretação das leis dotadas de generalidade e abstração, leis que constituem preceito primário, no sentido de que se impõem por força própria, autônoma. Não àquelas, designadas leis-medida (Massnahme gesetze), que disciplinam diretamente determinados interesses, mostrando-se imediatas e concretas, e consubstanciam, em si mesmas, um ato administrativo especial. No caso das leis-medida interpreta-se, em conjunto com o seu texto, a realidade no e do momento histórico no qual ela foi editada, não a realidade atual. É a realidade histórico-social da migração da ditadura para a democracia política, da transição conciliada de 1979, que há de ser ponderada para que possamos discernir o significado da expressão crimes conexos na Lei n. 6.683. É da anistia de então que estamos a cogitar, não da anistia tal e qual uns e outros hoje a concebem, senão qual foi na época conquistada. Exatamente aquela na qual, como afirma inicial, “se procurou” [sic] estender a anistia criminal de natureza política aos agentes do Estado encarregados da repressão. A chamada Lei da Anistia veicula uma decisão política assumida naquele momento --- o momento da transição conciliada de 1979. A Lei n. 6.683 é uma lei-medida, não uma regra para o futuro, dotada de abstração e generalidade. Há de ser interpretada a partir da realidade no momento em que foi conquistada.
6. A Lei n. 6.683/79 precede a Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes --- adotada pela Assembléia Geral em 10 de dezembro de 1984, vigorando desde 26 de junho de 1987 --- e a Lei n. 9.455, de 7 de abril de 1997, que define o crime de tortura; e o preceito veiculado pelo artigo 5º, XLIII da Constituição --- que declara insuscetíveis de graça e anistia a prática da tortura, entre outros crimes --- não alcança, por impossibilidade lógica, anistias anteriormente a sua vigência consumadas. A Constituição não afeta leis-medida que a tenham precedido.
7. No Estado democrático de direito o Poder Judiciário não está autorizado a alterar, a dar outra redação, diversa da nele contemplada, a texto normativo. Pode, a partir dele, produzir distintas normas. Mas nem mesmo o Supremo Tribunal Federal está autorizado a rescrever leis de anistia.
8. Revisão de lei de anistia, se mudanças do tempo e da sociedade a impuserem, haverá --- ou não --- de ser feita pelo Poder Legislativo, não pelo Poder Judiciário.
9. A anistia da lei de 1979 foi reafirmada, no texto da EC 26/85, pelo Poder Constituinte da Constituição de 1988. Daí não ter sentido questionar-se se a anistia, tal como definida pela lei, foi ou não recebida pela Constituição de 1988; a nova Constituição a [re]instaurou em seu ato originário. A Emenda Constitucional n. 26/85 inaugura uma nova ordem constitucional, consubstanciando a ruptura da ordem constitucional que decaiu plenamente no advento da Constituição de 5 de outubro de 1988; consubstancia, nesse sentido, a revolução branca que a esta confere legitimidade. A reafirmação da anistia da lei de 1979 está integrada na nova ordem, compõe-se na origem da nova norma fundamental. De todo modo, se não tivermos o preceito da lei de 1979 como ab-rogado pela nova ordem constitucional, estará a coexistir com o § 1º do artigo 4º da EC 26/85, existirá a par dele [dicção do § 2º do artigo 2º da Lei de Introdução ao Código Civil]. O debate a esse respeito seria, todavia, despiciendo. A uma por que foi mera lei-medida, dotada de efeitos concretos, já exauridos; é lei apenas em sentido formal, não o sendo, contudo, em sentido material. A duas por que o texto de hierarquia constitucional prevalece sobre o infraconstitucional quando ambos coexistam. Afirmada a integração da anistia de 1979 na nova ordem constitucional, sua adequação à Constituição de 1988 resulta inquestionável. A nova ordem compreende não apenas o texto da Constituição nova, mas também a norma-origem. No bojo dessa totalidade --- totalidade que o novo sistema normativo é --- tem-se que “[é] concedida, igualmente, anistia aos autores de crimes políticos ou conexos” praticados no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979. Não se pode divisar antinomia de qualquer grandeza entre o preceito veiculado pelo § 1º do artigo 4º da EC 26/85 e a Constituição de 1988.
10. Impõe-se o desembaraço dos mecanismos que ainda dificultam o conhecimento do quanto ocorreu no Brasil durante as décadas sombrias da ditadura.