Despedida da magistratura

Com a publicação deste meu discurso de despedida da magistratura, marco o final da atividade de Desembargador do Trabalho no Tribunal Regional do Trabalho da Oitava Região (Pará e Amapá) e o retorno ao blog.

DISCURSO DE DESPEDIDA



JOSÉ Maria Quadros DE ALENCAR


Que de gratidão sejam estas palavras de despedida.
Agradeço as palavras de Rosita Nassar, querida colega e boa amiga, falando em nome da Corte. Também agradeço as palavras de Hideraldo Machado, amigo querido, falando em nome do Ministério Público do Trabalho, e do caríssimo colega Juiz do Trabalho  Vanilson Fernandes, falando em nome da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho - AMATRA VIII. Peço que estornem os créditos excessivos que ela e eles me fizeram, fruto da generosidade e amizade, pedido semelhante ao que antes fiz quando igual excesso cometeu o caro colega e bom amigo Eliziário Bentes, na saudação de acolhida, na tarde para a noite de 6 de outubro de 1995, uma sexta-feira, vinte e um anos e cinco meses já passados.
Também devo gratidão aos colegas que nesses anos todos souberam compreender e neutralizar meus defeitos - nem tantos, nem tão poucos - e acolher minhas virtudes, algo escassas, mas integralmente postas a serviço da instituição.
Agradeço aos membros do Ministério Público do Trabalho, de ontem e de hoje, a fidalguia, a distinção e o respeito com que me honraram nesses anos todos, retribuídos sempre com reciprocidade.
Igual gratidão devo aos servidores, dos mais próximos aos mais distantes, que de uma forma ou de outra, me acompanharam e apoiaram nessa longa trajetória agora encerrada.
Reitero os agradecimentos feitos aos Ministros do Colendo Tribunal Superior do Trabalho, em presença do Excelentíssimo Ministro Corregedor-Geral, por ocasião de minha última participação em sessão do Egrégio Tribunal Pleno, no dia 31 de março de 2017. A todos, indistintamente, agradeço a distinção com que me honraram durante todos os anos que exerci a magistratura e, principalmente, no período em que integrei a Egrégia Primeira Turma como convocado e exerci o honroso cargo de Conselheiro do Conselho Superior da Justiça do Trabalho - CSJT. Não destoa desse sentimento de gratidão o de solidariedade que a eles e à instituição agora presto, desagravando-os e repudiando os recentes ataques que sofreram, vindos de autoridades do Poder Legislativo e do próprio Poder Judiciário. Ao ofenderem a Justiça do Trabalho, os ofensores desqualificam a si próprios e cobrem-se com os próprios vitupérios.
Gratidão maior ainda devo à minha família, esposa, filha, filhos e netas, pelo apoio incondicional sempre recebido e pelas ausências, retribuídas com amor, que sabem recíproco.
Aos advogados reitero os agradecimentos feitos no dia da minha posse. A gratidão é sentimento que está acima das vicissitudes. E para os advogados tenho uma palavra adicional, para pedir-lhes a adequada compreensão sobre a vaga ímpar - ou solteira - que ocupo, pois conforme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho, eu devo ser sucedido por um membro do Ministério Público do Trabalho e não da advocacia, para que assim seja respeitado o rodízio entre os egressos da advocacia e do Ministério Público.
Dispenso-me de falar sobre o meu tempo passado aqui, para que sobre ele fale a história e faça o seu julgamento.
E sobre meu futuro, digo pouco.
Mas o pouco que digo é para tranquilizar todos: não voltarei a advogar.
E se me perguntarem o que vou fazer, digo:
- Vou ser gauche na vida.


Discurso proferido em 6 de abril de 2017, na Sala de Sessões do Egrégio Tribunal Pleno, na sessão extraordinária de despedida.

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