Ai de ti, Belém! (5)

Se a nostalgia e a esperança impedem que Belém seja uma feliz cidade aqui e agora, é mesmo certo que não podemos - e, sobretudo, não devemos - revogar nosso passado. Compreendê-lo é necessário, inclusive para não repetir erros. Ou para não repetir a história como tragédia ou farsa. Ou as duas coisas.
O centro histórico de uma cidade é parte de sua alma, de seu ethos.
E, admitamos, o centro histórico de Belém também não vai bem. São inegáveis - e invejáveis - os esforços feitos para revitalizar o que foi a Feliz Luzitânia. Mas esse esforço é claramente insuficiente. Basta comparar o centro histórico de Belém com o de São Luis, para ficar por aqui por perto. Se a comparação for feita com Cartagena ou Cusco, a insuficiência fica muito mais evidente. Mas podemos fazer a mesma comparação com Iquitos e ainda assim a insuficiência é notável.
Se pretendemos resgatar nossa alma, de verdade, temos que resgatar nosso centro histórico ou, pelo menos, o que restou dele.
O caminho das pedras é conhecido, porque antes outras cidades fizeram. Um plano diretor seria um bom começo. São Luis fez. Havana também. Conhecimento temos, como provam o Forum Landi e tudo o que já foi feito no Feliz Luzitânia. O problema é, mais uma vez, o financiamento, o que nos remete para a mãe de todos os problemas, o raquitismo das finanças públicas municipais.


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