Barbárie

MAIS UM LÍDER CAMPONÊS É ASSASSINADO

Na manhã do ultimo dia 15.06.09, foi encontrado o corpo do líder camponês Luiz Lopes de Barros, nas proximidades da área Jatobá, região da Batente, Município de Conceição do Araguaia. Havia marcas visíveis de 01 tiro na cabeça e outro no corpo. Tudo indica tratar-se de crime executado por encomenda, pois nenhum objeto foi subtraído, tendo sido deixada a moto e seus documentos pessoais, ao lado do corpo.

Luiz Lopes era membro da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), organização de trabalhadores rurais presente no Sul do Pará e em algumas outras regiões do País. Nesta região, a LCP estava à frente de algumas ocupações, dentre as quais, a Fazenda Batente, Forkilha e Jacutinga, dentre outras.

Luiz Lopes era um dos lideres do Acampamento União Batente, Município de Conceição do Araguaia, organizado desde maio de 2005 por aproximadamente 100 famílias, na Fazenda Batente, onde morava como posseiro. O INCRA já desapropriou a área e o Projeto de Assentamento está em fase de criação.

No entanto, durante o processo de luta pela conquista desta terra ocorreram muitos conflitos violentos, inclusive com tiroteios, ameaças de morte e até o assassinato do lavrador Marcos José Pereira, havendo fortes indícios de que foi conseqüência desse clima conflituoso.

Outro episodio violento ocorreu em novembro de 2007 na Fazenda Forkilha, Município de Santa Maria das Barreiras, então ocupada pela LCP, onde ocorreu a “Operação Paz no Campo”, executada pelas Policias Civil e Militar, tendo havido a desocupação forçada, prisão, detenções arbitrárias e tortura de muitos trabalhadores.

A LCP tem divulgado a ocorrência de mais de 10 assassinatos de trabalhadores envolvidos nessa ocupação da Fazenda Forkilha.

A CPT registrou 15 assassinatos de trabalhadores rurais, ligados à luta pela terra, no Sul do Pará, nos últimos 4 anos. Em quase todos os casos foram instaurados inquéritos policiais, mas até agora ninguém foi penalmente responsabilizado, prevalecendo a impunidade, que tem marcado os assassinatos de trabalhadores rurais na região.

Na sua atuação na luta pela terra no Sul do Pará, Luiz Lopes também já havia sofrido ameaças de morte. Por isso, a hipótese bastante provável é de que o crime tenha sido motivado pela questão agrária.

Diante desse crime violento exigimos apuração rigorosa para que sejam identificados, processados e responsabilizados os seus executores diretos e indiretos, pois a continuidade da violência está diretamente relacionada à impunidade e ao não avanço da reforma agrária no País.

Xinguara-PA, 19 de junho de 2009.

Comissão Pastoral da Terra do Sul e Sudeste do Pará.

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