O Juiz Jônatas

Dito assim, parece uma referência a um personagem bíblico. E, de um certo modo, é mesmo.
Mas na verdade ele é o novo Juiz Titular da Primeira Vara do Trabalho de Parauapebas. Foi promovido ontem. Por antigüidade. Mas poderia sê-lo também por merecimento.
Nos últimos tempos ele era o Juiz Auxiliar da Primeira Vara do Trabalho de Ananindeua. Mas antes ele já foi cedido para o Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia e Acre, onde fez fama - boa fama - ao obrigar o Governo do Estado de Rondônia a cuidar melhor dos hospitais públicos de Porto Velho e a fazer concursos públicos. Voltou lá no início do ano para casar com Janaína (eu e Araceli fomos padrinhos).
É juiz voluntário da Vara Itinerante, especializada em trabalho forçado, que via de regra segue na retaguarda do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho. Participou de algumas dessas missões. Sua formação militar e treinamento específico feito no 2º Batalhão de Infantaria da Selva - BIS ajudaram.
Ah, sim, ele foi meu Assistente, mas isso não sei se conta muito para seu sucesso.
Mas agora, que ele vai iniciar uma nova etapa na sua carreira, quero apenas abrir alas para a homenagem que lhe prestam as servidoras e servidores que até agora estavam a ele subordinados.
Leiam o que elas e eles escreveram. Eu também assino embaixo.


O NOVO JUIZ


"Já vi líderes competentes que, diante de um pelotão, só viam um pelotão. Mas os grandes líderes, quando diante de um pelotão, enxergam 44 pessoas distintas, cada qual com suas aspirações, cada qual querendo viver, cada qual querendo ser bom".

General Norman Schwarzkopf


“A 1ª VT de Ananindeua vai ter um novo juiz. Agora será um auxiliar fixo.”
“É mesmo. E alguém daqui já trabalhou com ele?”
“Hum hum.”
E então chegou o dia. Ele veio para ser o auxiliar fixo da 1ª Vara do Trabalho, com outra postura, atitudes e novas idéias. Todos torceram o bico.
“Afinal, quem era esse aí que veio mudar todo o nosso estilo de trabalho?”
“Veio trazer mais serviço isso sim, como se não bastasse já todo o que temos...” -todos resmungavam pelos cantos.
Foi aquele bafafá. Ninguém entendia nada e todos se perguntavam o que esse novo juiz pretendia.
Porém, ele chegou. E chegou fazendo o maior alarde. De mansinho? Nem pensar! Veio pra acontecer e aconteceu. E foi logo reclamando da quantidade de processos.
“Como pode uma vara ter tantos processos?”
Ninguém sabia explicar como tinha acontecido aquilo. Uns chegavam até a balbuciar algum tipo de explicação.
“Sabe como é doutor, essa foi vara única durante mais de 10 anos...”
Isso pouco importava para esse novo Juiz.
“Vamos centralizar as execuções!” ele falava. “Vamos enxugar essa vara.”
O que é já essa tal de centralização? Ninguém entendia nada. Palavra nova essa aí? Neologismo processual? Vai começar... Ninguém queria mais trabalho.
“Vamos trabalhar duro agora e depois tudo vai melhorar.”
“Cada servidor terá uma quantidade de processos.”
“Usaremos o Despachão.”
“Arquivaremos provisoriamente aqueles que não tiverem solução imediata.”
Ai meu Deus amado. Todos foram tomados por um pânico. Eram muitas novidades de uma vez só. Era um vamos daqui, um vamos dali, isso vai é aumentar o nosso trabalho, pensavam todos os servidores.
“Que processos são esses ai?”
“Ih doutor...Esses são os processos da INCA. Não mexe nisso não. Estão todos parados. Não tem solução não.”
“Têm bens?”
“Tem sim. Um terreno, mas foi invadido. Não dá pra vender não porque tem gente lá.”
“É, mas conseguiremos casas para essas pessoas. Iremos vender o terreno e solucionar esses processos dando uma satisfação ao Jurisdicionado.”
Isso não vai dar certo, pensavam todos. Esse aí é outro sonhador, mas fazer o quê né? Manda quem pode e obedece quem tem juízo, já dizia minha avó e que Deus a tenha em bom lugar. Então começamos a trabalhar.
Bem, isso tudo aconteceu há quase dois anos.
Hoje aquele Juiz que chegou e que todos antipatizaram de primeira, conquistou a simpatia, respeito e admiração de todos os seus servidores. Sujeito simples, de bom coração, apaixonado por causas sociais, não só vendeu o terreno da INCA e conseguiu um financiamento junto à CEF a fim de construir casas populares para as pessoas que moravam naquele terreno, como está dando o mesmo tratamento ao caso da ASDECELPA.
Uma vez um reclamante chegou no balcão e perguntou se ele iria receber algum dinheiro antes de morrer. Era um senhor de idade que tinha trabalhado na GRANJA TANAKA, outra das muitas centralizações determinadas pelo Dr. Jônatas e já solucionadas.
E mais, saneou a vara. A 1ª VT de Ananindeua, que era uma vara problemática contando com por volta de 3000 processos em execução, atualmente tem menos de 900 processos!
E os servidores? Ah, esse é um caso a parte. Aqueles que torciam o nariz hoje se renderam à competência, capacidade e brilhantismo daquele Juiz que chegou cheio de novas idéias e boas intenções, apesar de não compreendidas em um primeiro momento. Duro e enérgico quando necessário. Amigo e companheiro sempre. Incentiva seus servidores a tentar novas conquistas, a estudar, a sonhar com um horizonte mais colorido.
Nunca esquece de datas especiais e sempre aceita todos os convites que lhe fazem. Simples como poucos, algumas vezes come na cozinha com seus servidores e aceita de bom grado os gracejos e imitações que fazem de sua pessoa.
É Dr. Jônatas, o senhor vai deixar saudades. Saudades nos corações de cada servidor da 1ª VT de Ananindeua. O senhor se mostrou além de um grande sujeito, um líder como poucos, que conquistou a admiração, simpatia e respeito de seus servidores.
A alegria pela promoção estava estampada em seu rosto contrastando com a cara de tristeza de todos nós. É, confessamos. Somos egoístas. Mas fazer o quê, né? Faz parte da natureza humana. A nós, resta apenas desejar-lhe sucesso e muita luz nessa sua nova empreitada, com a certeza de que, parafraseando o senhor quando fomos lhe cumprimentar pela promoção, “isso não é uma despedida e sim um até breve”.

1ª Vara do Trabalho de Ananindeua.

Adriana, Andréa, Carmen, Crisóstomo, Domingos, Elizabeth, Jaciléia, Jair, Joléa, Lena, Lícia Helena, Lismônica, Marizete, Omar, Orlando, Roberto, Vagno, Walber, Thiago, Murillo, Gustavo, Francisco e Iêda.

Comentários

Lafayette disse…
É... o Jônatas é isso aí... e um pouco mais...

Mas, tá sumido caro Alencar... casou e sumiu (deixo aqui me protesto!)

Parauapebas tem uns bandidos por lá... peças raras... inclusives uns maus políticos... mais uma batalha a vencer pelo querido Jônatas.

Se encotrar com ela, Alencar, diga-lhe que mando abraços fraternos, extensivos à Jana.
Lafayette disse…
"...com ELE..." (retificação)
Jônatas disse…
Caro amigos do blog do Alencar, tive a felicidade de ter uma formação eclética, apoiada em um tripé. Vejam: a formação cristã-evangélica, a formação militar e a formação jurídico-administrativa. No embalo deste aparente "sucesso" relatado acima, destaca-se, a meu modesto juízo, a administrativa. Esta foi lapidada, moldada por um dos 2(dois) mais brilhantes homens que conheci pessoalmente: Alencar. Elejo dois. Foi com esses dois que mais aprendi. Essa é a importância que o Alencar, meu guru, meu amigo, meu padrinho, tem pra mim, respondendo à indagação sobre a importância de ter sido seu assistente. Segue abaixo, texto em que respondo a homenagem dos servidores da 1ª Vara.

Meus amigos, irmãos, companheiros de jornada da 1ª Vara do Trabalho de Ananindeua-PA,

1 Respondo a todos porque dessa forma vocês decidiram fazer pública esta manifestação;

2 Não posso negar minha emoção diante da generosidade das vossas palavras. Sou imensamente grato, crendo ser pequeno para tanta honra. Receber o reconhecimento público daqueles que militam sob nossas ordens, sob a égide de um estatuto legal e balizados por um regime disciplinar pode soar coação, conluio. Mas também pode significar o mais digno dos "troféus", se verdadeiro e sincero for o procedimento;

3 Creio que a sinceridade do Vosso Coração (com maíúsculas mesmo) está claramente patente, na medida em que na parte inicial do relato abaixo vocês expressam a tensão inicial, a insatisfação pessoal, o clima nervoso dos momentos em que mudanças foram "propostas". Já confessei a vocês que também, inicialmente, não queria vir pra cá. Sempre labutando em Vara de grande movimento (a 2ª de Belém), já um substituto antigo, ousei pedir a fixação em janeiro de 2006 na 4ª VT de Belém, como forma de conciliar um projeto pessoal de aperfeiçoamento acadêmico - mestrado. Não foi possível. O Egrégio Regional, pela conveniência e necessidade do serviço, houve por bem me lotar aqui, na maior execução da 8ª Região;

4 O mérito pelo resultado alcançado - processual e organizacional - não me pode ser atribuído exclusivamente. Ciente da importância do meu papel, nada disso teria acontecido sem a contribuição valorosa de vocês. Arregaçadas as mangas e "empoderados", vocês conseguiram levar a efeito, ou melhor, superar o que seria impensável à época da correição do ano passado: cumprir a meta estabelecida pelo então Corregedor Regional, Dr. José Maria Quadros de Alencar, de sair da incômoda posição de maior execução da 8ª Região para menos 1 mil processos, bem como dar uma solução para o caso Inca, tudo isso em 1 ano;

5 Como dito, atualmente estamos com menos de 900 processos e em processo de queda; a área da Inca foi desocupada, vendida; o volume de pagamentos aos trabalhadores e recolhimentos aos cofres do tesouro aumentou, aí incluídos os quase R$2 milhões pagos aos trabalhadores da Inca, após 10 anos de espera, mesmo com a perda de alguns dos nossos servidores no período. Hoje ao chegar ao trabalho, como o artífice que retoca sua obra, ao mesmo tempo em que sou surpreendido por esta belíssima homenagem, vejo vocês empenhados na atividade braçal, mas necessária, da organização de tantos processos no arquivo;

6 Também não podemos esquecer que apoio "externo" recebemos. O então Corregedor se engajou pessoalmente na solução do caso Inca, cedeu força tarefa, assessoria e emprestou sua articulação profissional e pessoal ao deslinde da questão. A Corregedoria atual, Doutora Pastora do Socorro Teixeira Leal, na mesma linha, já impediu que valores outros da Inca tivessem o destino da satisfação de um único processo em Belém, remetendo os valores para o rateio local. A Distribuição esteve sempre a nos apoiar na tentativa de nos dar condições mais hígidas em nosso já combalido prédio. A Doutora Nazareth Rocha conseguiu, sem nenhum custo para a administração, "munck" para a reorganização dos bens (ônibus, caminhões, carros e máquinas) e sua acomodação nas garagens do nosso páteo, entre tantos outros que fatalmente estamos cometendo o pecado de não citar;

7 Fica um agradecimento especial à nossa Juíza Titular. A Doutora Cristiane Siqueira Rebelo, minha colega e amiga pessoal, profissional competente, valorosa e despida de vaidades, o meu muito obrigado pela honra de atuar ao seu lado. Construímos uma sólida relação profissional onde o argumento da racionalidade do serviço sempre falava mais alto do que nossas preferências pessoais, o que tenho certeza, foi o motor desse sucesso que vocês hoje reconhecem. Confessei a ela minha impetuosidade que, em muitas oportunidades, beira à impulsividade, tendo ela se constituído no temperamento e serenidade profissional por mim almejado para o exercício da titularidade que agora se me apresenta;

8 Foi árduo, foi bom. Parauapebas se apresenta igualmente árdua - a missão. Conto com vocês.

Obrigado amigos.

Jônatas.
Lafayette disse…
Tá vendo só, Alencar... rsrsrs

Ele veio aqui. Leu meus protestos, e nem registrou, sequer, um despacho de requisitos sejam intrínsecos, sejam extrínsecos... rsrsrs

Se ao menos os conhecessem para, depois, negava-lhes deferimento... nada!!!
Jônatas disse…
Ao meu caro Lafayette, amigo e companheiro de lutas "até bem pouco tempo atrás"...risos...Eu cheguei a redigir uma resposta para o seu "post". Mas vi que ia ficar fora de contexto. Passei o final de semana cassando ao amigo. Almoço no domingo, combinado??
Jônatas disse…
"...cassando o amigo...", retificando.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Meu caro colega e amigo Jônatas.

Obrigado pela - modesta - parte que me toca.

Sua contribuição para a justiça, para a paz social e para o processo civilizatório em Parauapebas será muito importante.

Lafayette não perde nada por esperar.

Conte sempre comigo.

Abraços
oliveiradro disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
oliveiradro disse…
Grande Jônatas, eu gostaria de dar meu aval à todas as palavras proferidas pela 1ª Vt de Ananindeua. Além do mais, de maneira mais pessoal, gostaria de externar a minha felicidade, pelo grande privilégio que tive de passar aqueles poucos momentos ao seu lado: assistindo suas audiências, fazendo seus relatórios, observando seu procedimento dentro da Vara. Em todas estas oportunidades eu pude crescer e aprender muito sobre o conceito do que vem a ser um comportamento sério, cativante, équo, justo e competente que exala de toda a sua personalidade e conduta. Saiba que você é um grande exemplo de homem...de um referêncial..o qual eu busco para minha pessoa.

Muito sucesso nessa nova etapa da sua vida e que Deus lhe abençoe grandemente!

PS: Parabéns também por mais um ano de vida que Deus lhe concede!

Um grande abraço, saudades

Diego Ribeiro. (ex-estagiário da 1ª VT)
Wanterlor Bandeira disse…
Parabens pelo o blog Alencar, e aproveitando o espaço mando um grande abraço na Araceli.
Mas o motivo da minha entrada aqui e para responder o Companheiro Lafayette. Sou morador aqui em Parauapebas ha 22 anos, operario, militande no movimento sindical e atualmente estou Vereador pelo PSOl. Politicos ruins e bandidos com certeza tem, mas não são exclusividade nossa, aqui tambem tem gemte boa e hospitaleira, tem uma cidade em pleno desenvolvimento, com uma taxa de crescimento de 18% ao ano que, com esse crescimento vem tambem muitas desigualde social. (e o aumento nas reclamações trabalhistas)
Mas Dr Jônatas sinta a vontade nessa cidade, e não tenha medo de ser feliz, e nós Parauapebenses nos sentimos imensamente honrado com sua presença e assim como 130 mil moradores que escolheram essa cidade para viver e construir seus sonhos lhes desejam muita sorte com justiça e paz.
Wanterlor Bandeira
Lafayette disse…
Wanterlor Bandeira,

Conheço a cidade e o município - não mais que você, é claro, posto que és vereador (ou será que és... tipo assim... Sarney versus Amapá?) rsrsrs

Assim como a corrupção em Brasília não foi inventada pelo Lula, a malandragem não o foi por Parauapebas.

Falei aquilo sobre maus (com "u" mesmo), pois já tive uma cliente quase estorquida (tentou, mas não conseguiu!) por um... que era mau que nem o pica-pau... rsrsrs

O município se desenvolve mesmo... pelo menos o pulo que deu da minha primeira visita por essas bandas, nos idos dos anos 80, em comparação a última, uns 8 anos... (pô, até as sarjetas estavam pintadinhas de branco!)

Mas, meu amigo vereador, venhamos e convenhamos, se, se somente se, desaguasse, competentemente, não digo toda, mas, pelo menos a metade mensal, da grana que o município recebe só do repasse, a tal da sarjeta já deveria ser de mármore Lápis-lazúli.

Continue na luta, meu caro vereador, pois, no dia em que o Lápis-lazúli for farto, é porque o povo paraupebense terá, pelo menos, uma sarjeta descente para descansar.

Ou, ainda, será o dia em que aquele bairro de casas bonitas... como é mesmo o nome? Se estenderá à todos...
Jônatas disse…
Meu caro Wanterlor,
Já tive a honra de atuar em Parauapebas em julho de 2001 e janeiro de 2002. Já se passam mais de 5 anos sem visitas à "capital do minério".
Estou ciente de muitas das maravilhosas potencialidades deste município, assim como de suas vicissitudes, que, como disseste, não são exclusividade de Parauapebas.
O aumento da litigiosidade trabalhista é a que mais preocupa, por me caber papel fundamental em sua solução.
Agradeço suas boas-vindas e conto com pessoas como você para enfrentar o desafio que ora se nos impõe.
Perdoe a acidez das palavras de Lafayette. Ele, longe do que possa aparentar a contundência de suas palavras, é um amigo de altos e bons propósitos que, no fundo, quer o bem, não só dos parauapebenses, como de todos aqueles que lutam por um mundo mais justo. O fato dele postar aqui, por si só, já confirma o que prego.
Um grande abraço. Espero recebê-lo em uma visita à 1ª Vara.

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