A crise no Rio e o pastiche midiático

Quem se interessar por conhecer outra versão para a crise do Rio de Janeiro, recomendo a leitura  do post  A crise no Rio e o pastiche midiático, no blog do Luiz Eduardo Soares, que é do ramo.
Quem não se interessar pode continuar assistindo apenas o Jornal Nacional, a Globo News e a CBN.

Comentários

Pedro Ayres disse…
Se tivéssemos o correto hábito de sempre estudar um problema a partir de sua origem e de seus desdobramentos, saberíamos partir para alternativas capazes de reduzir o seu raio de abrangência e de incidência. Ora, como nada disso é feito, o resultado é o que se vê e se sofre. Ao longo do tempo,o máximo que tem acontecido é a adoção de medidas em cima de medidas, lembrando a política de manutenção das ruas e avenidas em algumas cidades brasileiras, como Belém do Pará, por exemplo, que têm camadas e mais camadas de asfalto, o que aumenta o calor e impermeabiliza o solo numa região extremamente chuvosa.
Mas, de volta à vaca fria, se fizéssemos uma completa pesquisa entre os presos brasileiros (e até mesmo entre os não-brasileiros). Assim que fizerem as análises dessa pesquisa, logo de cara uma característica ficará bem exposta – a visão ideológica burguesa dos criminosos, principalmente entre os que “operavam” para o narcotráfico. Os objetivos e as mesmas ambições finais desses criminosos em nada diferem daquilo que é observável nas burguesias capitalistas e oligarquias políticas.
A lógica é uma só – acumular riqueza, bens e poder. Desse modo, como se poderá evitar que surjam criminosos, pois, todos eles, mesmo sem nenhuma academia, sabem que a diferença entre eles e os seus modelos, é a “legalidade” dos seus haveres e dos seus status de poder. Um fato que é facilmente verificável se olharmos para o modo utilizado por (agora) ilustres e poderosas famílias e grupos econômicos para a aquisição e aumento de seus poderes e riquezas.
Hoje, como o narcotráfico é uma atividade ultra-rentável, pois, além de não pagar nenhum imposto – o sonho de qualquer capitalista -, com o descartável empregado ideal,, mais e mais é um tipo de empreendimento necessário para o capital ocioso ou que não aceita os “ínfimos” lucros auferidos através do cassino bursátil e das bolhas especulativas financeiras. É tão grande essa sede cumulativa que daqui a pouco também haverá uma “bolha especulativa do crime”, um fenômeno que muitos dizem já ser uma realidade nos Estados Unidos, graças ao formidáveis lucros da fazendas de papoula e de coca no Afeganistão, Colômbia e Turquia, dirigidas por competentes gestores neoliberais da CIA, DIA e DEA.
E o que é que tudo isso tem a ver com dia-a-dia das pessoas? É simples, caso a lógica política de investimentos públicos fosse orientada para garantir o bem-estar, a qualidade de vida e o trabalho para todos, os índices de violência seriam bem menores e até passíveis de desaparecimento, caso houvesse a ampliação desse tipo de política. Uma coisa é certa – quando uma sociedade produz a doença, e o crime é uma doença social, logo em seguida cria o criminoso ou o doente. Portanto, evitar a doença é mais barato e correto do que isolar ou matar o doente.
A questão ganha outra dimensão quando, por lógica de sua proposta ideológica e objetivos estratégicos – que é o consumo de drogas universalizado-, é preciso derrotar o aparelho de Estado que a isso se contrapor. Como a comercialização da droga hoje em dia é uma das principais fontes de renda e poder para alguns setores de Estados capitalistas mais desenvolvidos, como os Estados Unidos, o que implica íntima vinculação política com alguns grupos oligárquicos e burgueses brasileiros, a luta contra o narcotráfico, além de ser policial, também é uma luta pela sobrevivência soberana do Estado e da sociedade. Enfim, parece que a trágica profecia de Hobbes está se configurando como real. O que talvez justifique teorizações quase justificadoras sobre o uso e o comércio de drogas no Rio, uma velha moda de certa inteligentsia tupininquim. Uma inteligentsia que até já cunhou o tipo de uso aceitável para as drogas - o uso social, tal qual se bebe socialmente.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Meu caro Pedro,

Muito obrigado por sua leitura e por seu comentário.

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