A Vale na encruzilhada

A veloz expansão da Vale do Rio Doce levou-a a uma encruzilhada.
Surfando - e bem - na onda de aquisições e fusões da mineração mundial, a Vale agora tem que escolher entre entrar ou não entrar no jogo pesado da compra da Alcan ou da Alcoa. O cenário posto era inimaginável até bem pouco tempo atrás.
Sendo a Vale um player de classe mundial, não pode ficar fora desse jogo e, por isso, vai ter que fazer escolhas.
Se entrar no jogo e vencer, a Vale vai ser mais gigantesca ainda no mundo do alumínio, mantendo a diversificação. Seu valor de mercado poderia disparar, agradando - e muito - seus acionistas, minoritários inclusive (o pessoal que aplicou seu FGTS ou algum dinheirinho que estava na ciranda financeira dos bancos de varejo). Mas o endividamente da empresa, que já é grande, aumentaria mais ainda, e um revertério seria possível, nestes tempos de volatilidade. É uma jogada de altíssimo risco, bem ao gosto de Roger Agnelli.
Se não entrar no jogo a Vale, sucuri da mineração que ainda digere a compra da vaca canadense Inco, fica do tamanho que está e suas rivais - Rio Tinto e BHP - se agigantariam, pondo em risco sua posição de player de classe mundial.
Em suma, se correr come o bicho, se não correr é comida por ele.
As maldições dessa encruzilhada não se desfazem com despachos, zifio. E se fosse, haja marafo.
E o Pará com isso?
A julgar pelo silêncio da opinião publicada no Pará - ressalvadas as exceções de sempre, o Jornal Pessoal, do Lúcio Flávio Pinto, e o que pintar aqui na blogosfera - nada temos a ver com isso.
Mas temos, e muito.
Nossos destinos estão atados aos da Vale, para o bem, e para o mal, mais para este que para aquele. Só por isso tudo o que a ela diz respeito, a nós também diz. É certo que não vale muito para nós ter a Vale aqui, pelo menos na perspectiva de melhorias para os viventes desta parte do mundo. A melhor métrica disponível, o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH, não é impactada positivamente pela presença da Vale no território paraense. Antes pelo contrário.
Mas, e se ela pegar um resfriado nessa encruzilhada? O Sul do Pará vai pegar uma pneumonia? Qualquer que seja a resposta, essa encruzilhada também é nossa.
Também - mas não só - por isso, é cada vez mais necessário que o Estado do Pará tenha uma estratégia muito clara para si e para os viventes daqui, incluídas as pessoas jurídicas, principalmente a Vale.

Comentários

Paulo Sena disse…
Olá Alencar. Não consegui seu e-mail e estou utilizando esse meio, mais para interagir com você que para comentar a matéria, desculpe.
Sou o Paulo Sena, mas conhecido como Tapajós. Sempre o conheci de nome mas nunca tive intimidade com você. Estive no enterro do Lauande e vi você comandando algumas operações de horários no velório e vi que agora temos alguma coisa que nos une, nosso amor pelo Lauande. Gostaria de poder alimentar esse amor com você.
Meu e-mail é paulosena@viamazonica.com - Blog:blogdopaulosena.blogspot.com e o site da minha empresa é o www.viamazonica.com.
Abraços
Paulo Sena
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Caríssimo Paulo Tapajós.


1 Muito obrigado por sua mensagem.

2 Sendo você quem é - e de quem tenho notícias sempre - é também Lauande que nos une, mas não só, com certeza.

3 Como sabes, estamos mantendo vivo o Blog do Lauande. Vou lhe mandar uma mensagem específica sobre isso.

Abraços do

Alencar

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