Pará, capital Marabá

É isso aí.
Acho possível e desejável transferir a capital do Estado para Marabá.
Calma, não exatamente toda a capital, mas o Poder Executivo. Poder Legislativo e Judiciário continuariam em Belém.
Precedentes no Brasil não existem, ainda. Mas fora os há. O Congresso Nacional do Chile, desde sua reabertura, tem sua sede em Valparaíso (o que desagrada os congressistas, que continuam morando em Santiago e querem trazê-la de volta). A capital oficial da Bolívia é Sucre, onde está a sede do Poder Judiciário, e não La Paz. Aliás, esta semana houve um paro cívico em Sucre para exigir a transferência dos demais poderes para a cidade. A capital da Austrália é Canberra (e não Sidney). Até a unificação a sede do governo da Alemanha Ocidental era Bonn e não Berlim.
Marabá é a capital regional da mesorregião do Sudeste Paraense, a mais dinâmica do Estado, e assim permanecerá enquanto tiver minério em Carajás. Fazer coincidir a sede do governo com essa realidade econômica parece ser um ato de pura racionalidade. Claro que as objeções não são poucas, desde as jurídicas até as políticas, passando pelas administrativas e financeiras.
Mas é melhor transferir a capital administrativa - vale dizer, Poder Executivo - para Marabá do que enfrentar esse infindável debate - até agora um pouco carente de racionalidade - sobre a divisão do Estado.
A idéia não é nova. Foi proposta vinte anos atrás, no discurso de posse do primeiro prefeito eleito (Hamilton Bezerra) depois que Marabá deixou de ter prefeito nomeado, que eu ajudei a redigir. E que ninguém prestou atenção (nem o próprio, ao que parece).
Ah, sim. E sai bem mais barato que a proposta de construir uma nova capital entre Marabá e Altamira, lançada pelo então Governador Almir Gabriel.
Mas o maior defeito desta proposta é que, pelo menos por enquanto, ela desagrada a todos os interessados - separatistas do Sul e do Oeste - e até os desinteressados do Nordeste Paraense, metropolitanos inclusive.
Sem chance? Depende.

Comentários

Ola meu queirido Alencar.
Quado li o discurso, naquele final de tarde do dia 01 de janeiro de 1986, dei bastante ênfase á transferência da capital para nosso municipio. Claro que muita gente vibrou naquele momento, pois passávamos por sérias transformações no Municipio, muito especialmente o impacto que o projeto Carajás causava e causa até hoje em toda região.
Em todos o seminários que organizávamos ao longo de meu mandato e foram muitos, voltava ao tema. Portanto meu querido amigo, a quem tenho uma enorme admiraçao e muito carinho, eu me interessei muito pelo assunto, e não passou em nenhuma hipótese desaparcebido, como voc6e citou.
Saudades de você. Receba através de seu Blog o meu mais fraterno abraço.
Hamilton Bezerra
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Hamilton,

Retificação feita, então.
Melhor que assim tenha sido.
Mas melhor mesmo seria se o tema voltasse ao debate, que está resumido ao postulado dilemático dividir X não dividir.

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