Feliz Círio!

Caríssimo leitor.
Qualquer que seja sua denominação religiosa, mesmo que não pertença a nenhuma, quer seja ateu ou agnóstico, morador de Belém ou de qualquer lugar do mundo, desejo a todas e a todos os leitores e comentaristas deste blog um Feliz Círio.
Este ano resolvi acompanhar a romaria rodoviária - nos anos anteriores acompanhava a romaria fluvial - mas cheguei atrasado. Quando consegui chegar a Icoaracy a missa já havia começado.
Vendo de terra as embarcações, pareceu-me que a romaria fluvial - que já chegou a reunir 600 embarcações - encolheu. A Capitania dos Portos esperava algo como 500 embarcações. Acho que deu menos.
A grande quantidade de crianças e jovens nessas romarias garante que o Círio será sempre e cada vez mais um fenômeno de massas. Já é algo como a metade da multidão que é mobilizada ao longo da semana que antecede a fiesta de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidado do México (três milhões em Belém é, proporcionalmente, maior que os seis milhões do México, cidade de mais de vinte milhões de habitantes).
A cerimônia da descida da imagem de seu nicho atrasou, para sofrimento do Arcebispo Emérito Dom Vicente Zico e da multidão que lotava o Santuário de Nazaré, agora refrigerada, mas não o suficiente para aguentar tanto tempo e tanta gente.
Entre uma romaria e outra deu tempo para garantir o tucupi da Elaine - a fila ontem dobrava a esquina - e o pernil da Panificadora Sagres (garantido desde ontem). Os patos já estavam em casa esperando o tucupi e a maniçoba chega amanhã ao sétimo dia de cozimento, como manda a tradição gastronômica paraense. Aliás, já está passando da hora de transformar nossas melhores coisas em produtos com denominação de origem controlada (DOC), mas isso é papo para outro post.
Amanhã vou cedinho para a frente do prédio da Companhia Docas do Pará, essa jóia da herança arquitetônica inglesa que é o melhor lugar para ver a Santa passar.
Feliz Círio!

Comentários

Nely disse…
Meu Estimado Amigo Alencar,

Obrigada pelos bons votos.

Como paraense típica, vivo intensamente essa manifestação cultural de nossa terra.

Bem lembrado por você: presença de tantas crianças nos leva a pensar numa certa perenidade desta indescritível festa religiosa/profana.

Naturalmente - nos idos, muito idos - também fui uma dessas crianças que ia ver a 'passagem da Santa', como dizemos por aqui, quando os romeiros não acompanham propriamente a procissão, mas ficam num lugar para vê-la passar.

Mesmo quando estive morando fora de Belém, sempre fazia questão de voltar para a tradicional ceia do círio: pato, maniçoba, vatapá, pernil, peru, brinquedos de miriti, lembrancinhas, até hoje fazem parte dos rituais de minha família, tal como as milhares de famílias paraenses neste dia vivemos uma grande confraternização, regada a uma folia gastronômica.

Hoje, lendo a revista Veja, observei uma grande peça publicitária do círio e destaco as palavras de D. Orani Tempesta (arcebispo de Belém) que mesmo não sendo nativo daqui, conseguiu capturar muito bem o espírito desta extraordinária cerimônia:

"_ Além da manifestação religiosa, das celebrações, da caminhada. O círio também é uma tradição de encontro, de vida, de relacionamento entre as pessoas, que faz com que toda uma cidade, um povo viva a sua fé e as suas tradições familiares."

De fato, o círio também é tudo isso e muito mais, especialmente para nós paraenses. Alguns já o chamam de 'natal dos paraenses'. Também assim o é, pois, tal como o natal, o Círio de Nazaré - sua festa, sua culinária, sua grandiosidade - nos envolve sobejamente.

Então, domingo, mais vez, como reza nossa tradição e as boas lembranças de minha típica vivência paraense, desde a infância, lá estarei vendo a 'passagem da Santa'.

Feliz círio a você caríssimo!

Abraços,
Nely
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Muitíssimo obrigado, caríssima.

Feliz Círio para você e seus familiares e muitos amigos.

É que o Círio só acaba no Recírio, por isso nunca é demais continuar desejando Feliz Círio.

Abraços do

Alencar

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