Violência sindical rodoviária

Como se não fosse pouca a violência urbana, o movimento sindical rodoviário de Belém acaba de dar sua contribuição, no curso de mais uma eleição sindical - violenta como sempre - suspensa por decisão do Juiz do Trabalho Titular da Sexta Vara do Trabalho de Belém.
São vítimas da violência não somente os próprios militantes sindicais rodoviários, os vizinhos e transeuntes da Avenida Duque de Caxias aqui em Belém, mas também o próprio movimento sindical, que assim dá mais uma volta na rosca da decadência e da degenerescência.
Ou as lideranças sindicais mais sérias e atiladas engendram mecanismos de prevenção e solução pacífica desses conflitos, ou o movimento sindical começa a correr sério risco de ser confundido com gangsterismo sindical que as oposições sindicais dos anos setenta e oitenta prometiam erradicar.

Comentários

Mary disse…
Caro Alencar,

Gangsterismo sindical (assim era o título)

Entendo tua indignação e vejo na mesma um pouco da história.

Foste, como eu, advogado dos rodoviários.

Muito pouco mudou de lá pra cá.

Talvez não tenhamos conseguido fazê-los entender e compreender a importância dessa categoria para todos nós ou, quem sabe, até compactuamos, inconscientemente, do mito de que a luta rodoviária tem, na truculência, uma das suas principais características de força para enfrentar um patronato que se caracteriza também pela violência, exploração e mesquinhez..

Vi as cenas de hoje e confesso que fui tomada pela tristeza. Pois ali estavam irmãos de sofrimento lutando entre si, fortalecendo aquele que enriquece (ou pelo menos enriqueceu no passado) à custa da exploração dos trabalhadores e da conivência do Poder Público durante muitos anos.

Mas não vi gangsterismo, não. São trabalhadores, talvez com uma visão equivocada da luta e da importância do bom combate, mas trabalhadores, sim!

E mais, o legado da história dos rodoviários ainda hoje repercute. Não obstante o declínio lamentável do Roque, seria uma injustiça esquecer a sua importância para todo o movimento sindical.

Tenho reservas com relação à forma de luta dos rodoviários e em algumas ações judiciais reservo-me o direito de não atuar, mas jamais os verei como gangsters e fiquei surpresa com essa expressão dita por um ex-advogado do sindicato dos rodoviários.

Fraternalmente,

Mary Cohen
Bom dia Dr. Alencar.
Lamento que procedimentos dessa natureza, que remetem aos tempos em que o homem vivia na caverna, ainda tenham guarita nos dias de hoje.
Suas colocações são oportunas.
Fico com o pensamento do inesquecível Horácio: sincerum est nisi vas, quodcumque infundis acescit - se a vasilha não estiver limpa, tudo o que se puder dentro azedará.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Prezada Mary.

1 Obrigado pelo comentário.

2 Sugiro reler o post, a começar pelo título, que não é "Gangsterismo sindical", como você, por evidente equívoco - ou ato falho - afirma. O título é "Violência sindical rodoviária".

3 Releia também, por gentileza, o último parágrafo do post, onde aparece a expressão "gangsterismo sindical", que reitero: "Ou as lideranças sindicais mais sérias e atiladas engendram mecanismos de prevenção e solução pacífica desses conflitos, ou o movimento sindical começa a correr sério risco de ser confundido com gangsterismo sindical que as oposições sindicais dos anos setenta e oitenta prometiam erradicar".

4 Tentando contribuir positivamente, no mesmo instante em que as violências eram praticadas eu incentivava um dirigente - nacional e local - de uma das centrais sindicais para que ele procurasse as demais e com elas viabilizasse um mecanismo de composição extra-judicial desses conflitos intra-sindicais.

5 Lamento não compartilhar com você essa visão acerca da importância - positiva - do Roque para o movimento sindical.

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