Lembrando Juvêncio

TERÇA-FEIRA, 13 DE JULHO DE 2010

Prá dizer adeus?

13/07/2010
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Os dias, as horas, os minutos, os segundos que me separam da convivência amorosa com Juvêncio Arruda Camara são mutantes: ásperos/suaves;  sem nenhuma interrogação!
morte morrida não é algo que se possa interrogar: mas lamentar, chorar, sofrer:  nada mais, nada menos que a condição do Vivo: e dói, dói muito!
Como escreveu Chico Buarque: amores serão sempre amáveis: daí o consolo e a trégua: e a disposição de estar viva! Ou, como escreveu Drummond, de tudo fica um pouco...fica um pouco do teu queixo no queixo de tua filha...da rosa fica um pouco...
Para alguém  - como eu -  amante da Vida,
hoje é um dia solene!
Um dia para pensar no tempo e no amor:
duas grandes razões para viver!

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Poema

Te amo por sobrancelha, por cabelo, te debato em corredores branquíssimos
onde se jogam as fontes de luz,
te discuto em cada nome, te arranco com delicadeza de cicatriz,
vou pondo em teu cabelo cinzas de relâmpago e fitas que
dormiam na chuva.
Não quero que tenhas uma forma, que sejas precisamente o que
vem atrás da tua mão,
porque a água, considera a água, e os leões quando se dissolvem
no açucar da fábula,
e os gestos, essa arquitetura do nada,
acendendo suas lâmpadas no meio do encontro.
Toda manhã é o quadro onde te invento e te desenho,
disposto a te apagar, assim não és, muito menos com esse cabelo liso,
esse sorriso.
Busco tua soma, a borda da taça onde o vinho é também a lua e o espelho,
busco essa linha que faz o homem tremer
numa galeria de museu.

Além do mais te amo, e faz tempo e frio.

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Julio Cortázar/ Último Round-Tomo II  

Comentários

Marise Morbach disse…
Olá Alencar, tô chegando aos poucos em Belém e vou passeando pelos blogs. Obrigado pela lembrança do Juca, prá ele você era um Príncipe. Eu pensei em você nessa viagem ao sul do Pará ao passar pela linha ferroviária. Dê um grande abraço na Araceli, uma mulher que o Juca muito admirava.
Um abraço! Marise
Marise Morbach disse…
Olá Alencar, tô chegando aos poucos em Belém e vou passeando pelos blogs. Obrigado pela lembrança do Juca, prá ele você era um Príncipe. Eu pensei em você nessa viagem ao sul do Pará ao passar pela linha ferroviária. Dê um grande abraço na Araceli, uma mulher que o Juca muito admirava.
Um abraço! Marise
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Valeu, Marise.

Na verdade Príncipe era ele e você a Princesa consorte (e com sorte também). Príncipe de Monsarás. Explico por e-mail a proposta que fiz a ele no dia 16 de março de 2008.

Abraços

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