Semana Santa em Bragança

Semana Santa em Bragança tem da procissão do encontro a bolo de massa.
A procissão é tradição européia. Na verdade são duas procissões, uma com a imagem de Cristo carregando sua pesada cruz, e outra com a de Nossa Senhora, que se encontram depois de percorrerem as ruas da cidade. Aqui tem também uma imagem de Verônica. Anos atrás uma jovem ventida como Verônica, em um dos momentos culminantes da procissão, deixava cair um pano de cetim onde estava estampado o torturado rosto de Cristo. A cidade toda se mobiliza para a procissão. Agora de manhã passei na velha Igreja Matriz e encontrei senhoras preparando a decoração de flores para a procissão, que vai ser amanhã de manhã. A Missa da Quinta-Feira Santa vai ser no Ginásio de Esportes porque a Igreja fica pequena.
Outro encontro que aconteceu faz tempo é o dessa tradição européia com a dos nossos índios e caboclos, e dele resultou que as comidas pascais aqui ficaram com um sotaque tupinambá-bragantino. Assim, em lugar dos pães de trigo, aqui temos bolos feitos com massa de mandioca e macacheira. Tem até uma colomba pascal feita dessa massa, aqui chamada de pomba simplesmente. Tem bolo de macacheira também.
O bolo de massa é feito com a mesma massa da mandioca que se faz a farinha d´água - já descrevi aqui como se faz - com um tantinho de côco ralado, açúcar, sal e banha de porco. Depois de escaldada no mesmo forno em que se faz a farinha e novamente manipulada - tudo a mão, uma trabalheira danada - a massa é montada em forma de bolos de meia polegada de espessura e palmo e meio de comprimento por um palmo de largura. Envolto em folha de bananeira ou sororoca, é assado no forno dos dois lados. Fica bem amarelinho. Com essa mesma massa faz-se pé-de-moleque, arredondado, de uns dez centímetros de diâmetro.
O bolo de macacheira é feito do mesmo modo, mas com macacheira ralada, côco ralado, açúcar, sal e erva doce. Esse fica branco.
E tem o beiju de massa, feito com a mesma massa da farinha também, mas já algo encaroçada. Leva gergelim.
E tem ainda a farinha d´água com côco, que é ralado e agregado na fase final da torrefação.
Tudo é feito para tomar com café preto bem forte. Foi o que fiz hoje de manhã, na casa da minha família. Minha afilhada passou ontem o dia preparando os bolos na Colônia Benjamin Constant e hoje de manhã cedo recebeu seu quinhão. Nessa época as famílias se juntam para preparar os bolos e cada um recebe sua parte.
Passei agora no Mercado Municipal e comprei um bolo de macacheira, um beiju de massa uns pés-de-moleque. Não adianta comprar muito, pois não tem conservantes ou aditivos químicos e de um dia para o outro fica rancento.
E aproveitei para tomar manicuera, um mingau feito com mandiucacaba, uma mandioca doce, que é ralada e cozida em fogo brando até reduzir para um terço mais ou menos. Para engrossar recebe arroz pilado, que fica integral. Toma-se em cuia. É outra tradição das Regiões Bragantina e do Salgado, que se mantém forte em Bragança, principalmente no Dia de Finados.
E agora vou sair para procurar vinho de buriti - aqui é vinho - que já está aparecendo por aqui, e é feito na mesma máquina que faz o de açaí.
Um dia ainda vamos ter um vinho de buriti com Denominação de Origem Controlada - DOC. O daqui de Bragança vai ser o bordeaux dos vinhos de buriti. Quem viver verá.
Feliz Páscoa!

Comentários

Dumuro disse…
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TV Digital disse…
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Cris Moreno disse…
Que ela tenha sido ótima pra vc e sua família.

Beijos.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Muito obrigado, Cris.

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