Notícias da Guatemala: Vulcao Pacaya

Saímos cedo de Antigua e fomos para San Francisco de Sales, no sopé do vulcao Pacaya, um dos mais ativos da Guatemala (está ativo desde 1966).
No caminho encontramos cafezais sombreados por graviléias.
E por uma planta geotérmica de 25 megawatts, que gera energia elétrica para consumo interno e para o México e El Salvador. Tecnologia israelense.
Na subida fomos acompanhados por donos de cavalos que apostaram até onde puderam que nao conseguiríamos chegar ao topo sem ajuda deles. Quando ficou claro que daríamos conta - os casais espanhóis eram praticantes de ciclismo e montanhismo - desistiram e voltaram para o sopé do vulcao.
Tres horas depois chegamos ao rio de lava endurecida da última erupcao, em 2006. De vez em quando o vulcao dava ameacadores sinais de vida. Parecia o estrondo de ondas de um mar revolto ou mesmo de uma catarata. A cada explosao dava para ver as rochas sendo lancadas para o alto. Era assustador e só a tranquilidade do guia - um campones local que tambem é mecanico de automóvel e operário da construcao civil - e das famílias que vendem laranjas (com sal, pimenta e semente de abóbora torrada e triturada) e refrigerantes ao longo da trilha nos dá seguranca e vontade de continuar a subida.
Perto da cratera secundária encontramos um grupo que havia passado a noite acampado ali perto.
Caminhamos mais uma meia hora sobre a lava, parte dela muito quente. Com cuidado nos aproximamos do rio de lava, que se move lentamente. As pedras resvalavam e o risco de queda era constante. Os bastoes que comprei de um garotinho no sopé - aqui o trabalho infantil é a regra - foram de grande valia. O calor era suportável, dependendo do vento. Descansamos um pouco e fui cumprir o ritual de queimar a ponta do bastao na lava incandescente. O calor é insuportável de frente. De costas e com vento a favor, dá para encarar. Consegui queimar as pontas dos dois cajados. Ficar frente a frente com essa poderosa natureza é de arrepiar. Nao existe nada parecido.
Com cuidado iniciamos o caminho de volta. Outro caminho, para ver o estrago feito no bosque pela última erupcao. Um imenso rio de lava petrificada engoliu um bom naco do bosque. Ainda tem árvore com uma parte enterrada nele (usada como lenha pelos que acampam nessa zona).
No sopé o guia corta a ponta queimada dos bastoes, que agora estao comigo como recuerdos desse incrível encontro com um vulcao ativo.
O vulcao Pacaya é, com certeza, mais um lugar para voltar um dia.

Comentários

Marcus disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcus disse…
Apesar deste "perigoso passeio", a viagem parece estar sendo mesmo maravilhosa!
Nós aqui, seguramos as saudades e desejamos que aproveite bastante.
Ah, a Stelloca está muito bela e muito mais elétrica do que o normal. Não pára quieta! Vou enviar uma foto para o seu e-mail.

Beijos e abraços!

Stella, Tassi e Marcus.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Carissimo Maruc,
Carissimas Tassi e Stella.

Obrigado pela leitura, comentario e incentivo.

Um dia Stella vai lembrar disso tudo.

Quem sabe ela nao vai querer conhecer o Mundo Maia.

Abracos com saudades

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