Um Estatuto para a Cidade de Belém

Já que em Belém não se cumpre mesmo o Estatuto das Cidades, seria bom cumprir pelo menos o Estatuto da Gafieira, de autoria do conterrâneo Billy Blanco, nos termos seguintes:

Estatuto da gafieira


Moço
Olha o vexame
O ambiente exige respeito
Pelos estatutos
Da nossa gafieira
Dance a noite inteira
Mas dance direito
Aliás
Pelo artigo 120
O distinto que fizer o seguinte:
Subir na parede
Dançar de pé pro ar
Debruçar-se na bebida sem querer pagar
Abusar da umbigada
De maneira folgazã
Prejudicando hoje
O bom crioulo de amanhã
Será distintamente censurado
Se balançar o corpo
Vai pra mão do delegado
Ta bem, moço?
Olha o vexame, moço!

Comentários

Yúdice Randol disse…
Eis aí a nossa verdadeira cultura popular, da época em que não havia rachadas nem periquitas. Agradeço por me apresentar ao poema (falta ouvir a música). É muito bom conhecer essas outras referências culturais.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Meu caro Yúdice.

Já que você gostou, veja então o Estatuto de Boate, em outro post.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Yúdice,

Vai de brinde Piston de Gafieira, também de Billy Blanco.

Piston de Gafieira


Na gafieira
Segue o baile calmamente
Com muita gente dando volta no salão
Tudo vai bem
Mas, eis, porém que de repente
Um pé subiu
E alguém de cara foi ao chão
Não é que o Doca
Um crioulo comportado
Ficou tarado quando viu a Dagmar
Toda soltinha
Dentro de um vestido-saco
Tendo ao lado um cara fraco
E foi tira-la pra dançar?
O moço era faixa preta, simplesmente
E fez o Doca rebolar sem bambolê
A porta fecha enquanto dura o vai-não-vai
Quem está fora não entra
Quem está dentro não sai
Mas a orquestra sempre toma providência
Tocando alto pra polícia não manjar
E nessa altura
Como parte da rotina
O piston tira a surdina
E põe as coisas no lugar
francisco rocha junior disse…
Prezado Alencar,
Conheço a música, que ouvia muito quando pequeno, pois o meu pai adora. É sensacional. Mas não a conheço com o Billy Blanco; acho que há uma versão gravada pelo Noite Ilustrada, estou errado?
Adelina disse…
A gravação do Estatuto da Gafieira, é do Jorge Veiga. Anos depois o Moreira da Silva também gravou. Mas, esquecemos do maravilhoso Piston da Gafieira,também do Billy, que eu conheci cantada pelo Silvio Caldas e que imortalizou a Dagmar "...toda soltinha destro de um vestido saco, tendo ao lado um cara fraco e foi tirá-la pra dançar..."! Abração.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Caríssima e caríssimos.

1 Billy Blanco é autor e também gravou. Para ouvir em Real Player, ir para http://www.mpbnet.com.br/musicos/billy.blanco/letras/piston_de_gafieira.htm.

2 A versão do próprio Billy para o surgimento da composição é a seguinte: Certo dia, às seis e meia da noite, Antônio Sady baixava a grade da loja Sady Sedas (que já não existe), justamente quando eu chegava. Brincando, ele disse: "Quem está de fora não entra!" e eu retruquei: "Quem está de dentro não sai!" Meu amigo Antônio acrescentou: "Isso dá samba, Billy. Vai nessa!" E deu.

Para usar os motes surgidos tão naturalmente, imaginei uma situação em gafieira, aproveitando para falar do bambolê, muito em moda na época, do vestido-saco, que surgia com força sexual, e dos aplicados alunos de jiu-jitsu dos Gracie. Assim é que nasceu, fruto de pura imaginação, embora parecesse um flash de salão, o Piston de Gafieira, para serem usadas as expressões "Quem está de fora não entra" e "Quem está de dentro não sai".

3 Adelina tem razão. A música foi gravada em 1959 por Sílvio Caldas e Geraldo Medeiros (Polydor); Ary Cordovil (Sinter), Renato de Oliveira (Continental) e Jorge Veiga (Copacabana); em 1961 por Moreira da Silva e Raul de Barros (Odeon); em 1978 novamente por Sílvio Caldas (RCA); em 1979 por Severino Araújo (Continental), Grupo Chapéu de Palha (Copacabana) e Conjunto Flor Amorosa (RCA); em 2002 pelo próprio Billy Blanco (Biscoito Fino.

4 Não me lembro do Noite Ilustrada ter gravado Piston de Gafieira e não consta da discografia.

5 Mas de tanto ser gravada por outros até parece que não é de Billy Blanco.
francisco rocha junior disse…
Alencar,
Realmente, a gravação que conheço é do Jorge Veiga. Achei-a hoje na internet. Resgatou boas lembranças de infância. Bacana mesmo!

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