Lula en su tinta

Depois de trinta e tantos dias caminhando e pouco lendo jornais ou vendo televisao, fiquei descolado do mundo, pero no mucho, pois sempre que podia passava pelos blogs e me atualizava das coisas do Brasil e do Pará.
Agora estou em Zamora, em Castilla y León, pertinho de Bragança (a de Portugal, bem entendido).
E fui chegando dia 19 passado, quarta-feira, e pegando uma overdose de televisao. E advinha de quem: dele, Lula, o cara, en su tinta.
Dois canais - um deles a CNN - cobriram um evento promovido pelo El País e pelo Valor Econômico (isso mesmo), onde Lula deitou falaçao, de improviso, assim com jeitao de quem papeava com Felipe Gonzalez - que estava na platéia, depois de ter apresentado o cara ao distinto público - e pinta de estadista, quase dono de uma boa parte do mundo. O espaço que lhe foi concedido seria simplesmente impensável ma mídia - TV principalmente - brasileira, nem na TV estatal (pois iriam dizer que era chapabranquismo). Saiu ao vivo e praticamente na íntegra. E repetiu diversas vezes na CNN, ao longo do dia.
Depois vieram os comentários, no mesmo dia, e nos dias seguintes. Muitos.
A mídia brasileira, com aquele complexo de vira-latas rodrigueano, pelo que pude ver pelo blog do Noblat e outras fontes, nao achou grande coisa o acordo Brasil-Ira-Turquia.
Sinto muito decepcioná-los, mas a mídia espanhola derramou-se em mesuras para o feito, nao de Lula, mas da diplomacia brasileira. Mas era inevitável fazer referências ao cara. Um comentarista foi bem claro: o beicinho que fizeram chefes de estado, de governo e chanceleres - inclusive Hilary Clinton - é dor de cotovelo. Isso mesmo, dor de cotovelo. E a explicaçao desses analistas é simples: depois do fim do mundo bipolar da Guerra Fria, a bola da vez é o mundo unipolar da hegemonia norte-americana. A onda agora é um mundo multipolar, onde China, Índia, Rússia e Brasil - os BRICs - também cantam de galo. E nesse mundo multipolar lances como esse se tornam possíveis e o máximo que Hilary pode fazer é muxoxos, embora que acompanhados pela mídia brasileira com complexo de vira-latas.
O caso, portanto, nao é para cair de joelhos diante desse novo semideus diante do qual a Europa mais uma vez se curva, mas é para se render à evidência que neste mundao em crise quem vai escapando dela com algum crescimento - caso do Brasil, conforme previsao divulgada ontem - e com muito crescimento - caso da China e da Índia - começa a dar as cartas.
Só isso.
O que nao é pouco.

Comentários

Alexandre Porto disse…
Lendo esse seu post Alencar, lembrei-me de nosso companheiro de lista 'Democracia', o sempre otimista Eduardo Lauande.

parabéns pelos comentários.
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Obrigado, Alexandre, pela leitura, pelo comentário e pela lembrança.
Mais um ano sem Lauande, mas sua alma e seu espírito permanecem vivos em nós todos que, como você, dele guardam sempre boas lembranças.

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