História (2)

Ainda sobre o orçamento da receita pública do Estado do Pará em 1909, e para confrontar com os dias atuais, era também cobrado imposto sobre as mercadorias (gêneros, dizia a lei) que desembarcarem em qualquer porto do litoral, nos trapiches, nas estações da Estrada de Ferro de Bragança, ressalvadas aquelas em trânsito. A lista dessas mercadorias dá uma idéia do que era produzido e consumido no Pará cem anos atrás: aguardente ou álcool,  mel, tabaco, vinhos, licores, vinagres.
O imposto de indústria e profissão era cobrado dos que, individualmente ou em companhia, sociedade anônima ou comercial, exercessem indústria, profissão, arte ou ofício. Nesse ano de 1909 foram isentados desse imposto os lavradores, os proprietários de fábricas e engenhos, os pescadores, os tripulantes de vapores da nevegação fluvial, os que trabalhavam em oficina própria com até dois oficiais ou aprendizes, as caixas econômicas, os montepios, as sociedades de socorros mútuos (que dariam origem aos sindicatos), os estabelecimentos humanitários, as sociedades de colonização, os estabelecimentos de instrução, os professores, as fiações e tecelagens de algodão, as metalúrgicas, os estaleiros, as empresas de telegrafia e telefonia, os diplomatas, os empregados públicos.
A tabela das mercadorias e profissões ajuda a compreender como era esse Pará de 1909, que produzia e/ou consumia absinto (!), aguardentes, licores, água mineral, armarinhos, açúcar, aves, animais, azulejos, mosaicos, biscoitos, bicicletas, cabelo,  cadeiras, café, caixas (de madeira e de papelão), cal, calçados, camisas, carros, carroças, carvão (de pedra  e vegetal), catraias ou botes, cera, cerveja, chapéus, charutos, cigarros, chocolate, cimento, cordas, estopilha, couros, preparados medicinais, sabão, querosene, dinamite, pólvora, drogas, medicamentos, trigo, ferraduras, ferragens, feno, alfafa, flores (naturais e artificiais), fogos de artifício, gado, gás, gelo, esculturas, instrumentos musicais (piano inclusive), jóias, latas, leite, lenha, livros,  louças (de barro, pedra, porcelana e cristal), litografias, máquinas de costura, madeiras, mármore, materiais de construção, móveis de madeira, partituras e músicas impressas, material elétrico, cerâmicas, pães, perfumes, roupa feita, rebocador, regatão, velas de sebo, sinetes, saveiros, tamancos, tubos, violas e vinhos.

Comentários

Anônimo disse…
E olha que naquele tempo, apesar da diversidade do comércio, da variedade de preços e quantidades, os negócios eram feitos a fio de bigode....Corrupção? Nem pensar.
Um grande abraço. Liberato
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Obrigado pela leitura e comentário, meu caro Liberato.

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