Notícias de Lima

A primeira vez que estive em Lima foi nos anos oitenta do Século passado, depois de passar uns dias em Cuba. Viajei desde La Habana em um daqueles jumbos soviéticos lotado de pescadores russos (os russos tinham acordos de pesca com Cuba e Peru), que tomavam todo o estoque de Havana Club e aprontavam todas durante o voo. O Sendero Luminoso estava no auge. Alan Garcia era o Presidente. O Aeroporto era pouco mais que uma rodoviária melhorada. As pessoas falavam em inglês quando se referiam ao Sendero Luminoso, com medo de serem delatadas. O Sendero Luminoso náo impunha respeito, impunha medo, mesmo para gente de esquerda. Tive que antecipar a saída do hotel para o aeroporto em muitas horas porque o Sendero havia convocado um paro armado. Apesar dessa providência o motorista teve que se desviar de muitos obstáculos pelo caminho. De bom registrei o casco histórico bem cuidado e a excelente gastronomia.
Voltei depois nos anos noventa do Século passado, para um congresso jurídico. O Sendero havia sido destroçado por Fujimori, que entao ja tinha executado mais da metade de suas malfeitorias, mas ainda nao havia caído em desgraça. Nessa segunda vez o que me chamou atençao foi a destruiçao do sistema de transporte coletivo de passageiros, vítima de um neoliberalismo tacanho que permitiu a concorrência predatória dos perueiros (as combis, como se diz aqui) com o sistema convencional. Os dois sistemas foram destruídos e até agora nao foi recuperado o convencional. Para piorar, como a economia melhorou sob Fujimori a classe media teve mais acesso ao automóvel e Lima foi entupida de carros. Um caos urbano para ninguém botar defeito. Para quem reclama do transporte coletivo de Belém precisa experimentar o de Lima. Mas tenhamos por certo que se nao houver combate duro ao transporte dito alternativo, das vans, Belém é forte candidata a virar uma Lima no tucupi.
Mas uma outra coisa é certa: Lima continua tendo o melhor ceviche e o melhor pisco sour do mundo. Um presidente Alan Garcia que parece disposto a nao repetir os erros do primeiro mandato.
E um shopping center - o Larcomar - que tem uma sala de museu. Nada mais nada menos que do Museo del Oro, que é particular. Seria mais ou menos como se o nosso Doca Boulevard tivesse uma sala do Museu Goeldi (taí uma boa idéia).
O Museo del Oro de Lima nao é páreo para o Museo del Oro da Colômbia (este é do Banco Central da Colômbia). Mas a sala dele no Larcomar é excelente, tem poucas mas relevantes peças e um bom audioguia, como nos bons museus europeus.
Amanha vou para Juliaca e daí para Puno, para aclimatar-me a altitude antes de encarar a Trilha Inca Longa.

Comentários

Carlos Barretto disse…
Estarei bastante atento a seus relatos. Penso em fazer a mesmíssima viagem há anos. Aproveite bem e divirta-se.
Você certamente merece.

Abs
JOSÉ DE ALENCAR disse…
Meu caro Barretto.

Obrigado pelo prestígio de sua leitura e comentàrio.
Lima, Cuzco e Machu Picchu sao lugares que temos de visitar pelo menos uma vez na vida.
Torco para que voce faca logo sua viagem.

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